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PT avalia intervir no Rio Grande do Sul para selar aliança com Juliana Brizola

PT avalia intervir para selar aliança com Juliana Brizola e enfrenta resistência interna em meio à disputa eleitoral no estado

Carlos Lupi, Juliana Brizola e Lula (Foto: Reprodução / Redes sociais)

247 - A direção nacional do PT considera a possibilidade de intervir no diretório do Rio Grande do Sul para assegurar uma aliança com a pré-candidata do PDT ao governo estadual, Juliana Brizola. A medida surge diante da resistência da ala local do partido, que insiste em manter a candidatura própria de Edegar Pretto, ampliando o cenário de disputa interna no campo progressista, informa o jornal O Globo.

O impasse ocorre em um contexto de fragmentação da esquerda no estado, com o PSOL — aliado histórico do PT — sinalizando a possibilidade de lançar candidatura própria caso prevaleça o apoio a Brizola. A divergência expõe dificuldades de articulação política diante do avanço de adversários no cenário eleitoral.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou a falta de unidade e classificou a existência de múltiplos palanques como um erro estratégico. Em entrevista ao jornal Correio do Povo, ele afirmou que a divisão pode ter consequências políticas relevantes.“Temos que derrotar o fascismo materializado no projeto da família Bolsonaro, não há nada mais importante que isso. Sem o PDT não há como falar de unidade do campo democrático no Brasil. Não consigo entender onde está a dificuldade de compreender politicamente o que está em jogo”, declarou. Edinho também advertiu: “As escolhas do PT do Rio Grande do Sul não podem ser maiores que os desafios que a história nos impõe”.

No cenário eleitoral gaúcho, o deputado federal Zucco (PL) aparece na liderança das pesquisas, seguido por Juliana Brizola. Edegar Pretto figura na sequência, enquanto Gabriel Souza (MDB), atual vice-governador, também disputa espaço como possível sucessor de Eduardo Leite (PSD).

Mesmo sob pressão da direção nacional, lideranças petistas no estado defendem a candidatura de Pretto como a melhor estratégia eleitoral. Segundo o grupo, a decisão foi tomada de forma democrática em convenção realizada no ano passado, com apoio de partidos como PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB. O diretório municipal de Porto Alegre chegou a aprovar resolução unânime em favor do nome do petista.

O próprio Pretto afirmou que mantém diálogo com a direção nacional, mas reforçou a solidez de sua pré-candidatura.“Nossa pré-candidatura está super consolidada. Obviamente, temos a noção que o PT nacional tem outras questões na mesa de negociação, mas nossa tática é a mais favorável para o presidente Lula. Não sou candidato de mim mesmo, sou cumpridor de tarefas coletivas”, disse.

Juliana Brizola, por sua vez, tem ampliado articulações políticas. Em fevereiro, esteve no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhada do presidente do PDT, Carlos Lupi. Na ocasião, apresentou proposta de composição que inclui espaço para o PT na chapa majoritária, mantendo indicações petistas ao Senado.

O debate também mobiliza outras lideranças. O ex-governador Olívio Dutra criticou partidos que, segundo ele, enfrentam contradições por participarem do atual governo estadual. Já o PSOL expressa preocupação com a possível mudança de estratégia.

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL) afirmou que a hipótese de apoio a Juliana Brizola pode gerar instabilidade no campo progressista.“Nós não temos um grau de debate programático com a candidatura do PDT. Seria uma crise muito grande para a esquerda e para o palanque do Lula. Existe, sim, a possibilidade de lançar uma candidatura, pois o PSOL tem bons quadros que poderiam cumprir esse papel em um cenário gravíssimo de intervenção, mas nós não queremos que isso ocorra”, declarou.

O vereador Roberto Robaina, também do PSOL, destacou que a aliança com Pretto vem desde a eleição anterior, quando o petista alcançou desempenho expressivo nas urnas, reforçando a continuidade da estratégia como fator relevante no debate interno da esquerda gaúcha.

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