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PT nacional pressiona por apoio à candidatura de Juliana Brizola no RS

Diretório estadual do partido mantém candidatura de Edegar Pretto e resiste à aliança com o PDT

Edinho Silva (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

247 - A orientação da direção nacional do PT para apoiar Juliana Brizola (PDT) ao governo do Rio Grande do Sul abriu um novo capítulo de tensão interna no partido, com resistência explícita da ala gaúcha. A disputa expõe divergências sobre a estratégia eleitoral para fortalecer a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que lideranças locais defendem a manutenção de candidatura própria.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, determinou o apoio à pré-candidatura de Juliana Brizola como parte de um acordo nacional com o PDT. A medida busca preservar a aliança em torno de Lula, mas enfrenta oposição no diretório estadual.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, Edinho afirmou que o partido precisa priorizar a estratégia nacional. “Em muitos locais o PT vai ter que abrir mão de candidaturas” e “ceder em nome da reeleição de Lula”, disse. Segundo ele, não é possível colocar “o projeto regional acima do nacional”.

O dirigente também indicou que a exigência partiu da cúpula do PDT. “É o único Estado em que estão pedindo apoio”, afirmou, ao mencionar o pedido do presidente nacional da sigla, Carlos Lupi. Edinho alertou ainda para os riscos de ruptura: “Significa que o PDT sairia da aliança que dá sustentação ao presidente Lula”. “É evidente que não podemos concordar com isso, permitir que isso aconteça.”

Apesar da pressão, o ex-presidente da Cobab Edegar Pretto mantém o discurso de resistência e reafirma sua pré-candidatura ao governo gaúcho. Em entrevista à Zero Hora, ele declarou que não pretende recuar e defendeu uma estratégia eleitoral distinta da adotada pela direção nacional.

“A minha pré-candidatura está mantida porque o PT, o PSB, o Partido Verde, o PSOL, o PCdoB e a Rede compreendem que esse é o melhor e mais potente palanque para a reeleição do presidente Lula. Nós não somos um Estado qualquer. O que nós estamos dialogando é que a nossa tática eleitoral (do PT/RS) é a melhor, é a mais correta para garantir a reeleição do presidente Lula”, afirmou Pretto.

O dirigente estadual também reconheceu o acordo nacional com o PDT, mas destacou a importância do cenário local. “Sabemos do acordo que o Partido dos Trabalhadores fez a nível nacional com o PDT e respeitamos muito o PDT. A eleição do presidente Lula é nossa prioridade, mas nós também temos as nossas prioridades locais. E o Rio Grande do Sul, no entendimento do PT, do nosso estado e dos demais cinco partidos, é uma prioridade porque aqui o palanque está montado.”

Pretto rejeitou qualquer possibilidade de compor como vice na chapa de Juliana Brizola. “Não tenho plano B. Não tem nenhuma possibilidade (de ser vice do PDT), não está no nosso cenário. Como eu disse, eu me preparei para ser candidato e ser governador do Estado”, declarou.

Entre os argumentos apresentados à direção nacional, o pré-candidato sustenta que o Rio Grande do Sul é um dos poucos estados onde o PT teria condições reais de liderar a disputa. “Não são muitos os estados do Brasil que o PT está na cabeça de chapa e com possibilidades reais de vitória, como nós temos aqui no Rio do Sul. Esse também tem sido os argumentos que nós estamos apresentando aos nossos dirigentes nacionais. E eu sei que o PDT tem outras prioridades, não é só o Rio Grande do Sul, e que parte dessas prioridades já foram atendidas (pelo PT).”

Edinho Silva, por sua vez, não descartou a possibilidade de intervenção no diretório estadual, caso a resistência persista, mas afirmou que a prioridade é o diálogo. “Não queremos tomar nenhuma medida de força no Rio Grande do Sul”, disse. “Queremos uma medida de convencimento político, que o PT do Rio Grande do Sul se convença da importância da reeleição de Lula.”

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