Tenistas venezuelano e colombiano são presos por injúria racial após gestos e ofensas em torneio de Itajaí
Caso aconteceu no Itajaí Open, no Clube Itamirim, e levou à detenção de Luis David Martínez e Cristian Rodriguez após denúncia de imitação de macaco
247 – Dois tenistas estrangeiros foram presos por injúria racial durante o Itajaí Open de Tênis, realizado no Clube Itamirim, em Santa Catarina, após gestos e ofensas racistas dentro e fora da quadra. O venezuelano Luis David Martínez e o colombiano Cristian Rodriguez foram detidos após a dupla perder para dois brasileiros e, segundo relatos, reagir com atitudes discriminatórias direcionadas à torcida e a um funcionário do clube.
As informações foram publicadas pela RT Brasil, com base em relatos da Polícia Militar e de testemunhas ouvidas pelo portal g1, que detalharam o episódio ocorrido na tarde de quinta-feira (22), logo após a derrota dos estrangeiros no torneio.
Gestos e ofensas racistas após a derrota
Segundo o boletim policial e os depoimentos reunidos, Luis David Martínez teria se voltado para a torcida e imitado um macaco, “coçando as axilas em gesto discriminatório”, conforme descrito no registro da ocorrência. O ato teria ocorrido ainda no ambiente da partida, logo após o resultado desfavorável.
Já Cristian Rodriguez foi reconhecido como autor de um xingamento racista contra um funcionário do clube. De acordo com os relatos, ele chamou o trabalhador de “macaco”, ofensa caracterizada como injúria racial e registrada pelas autoridades.
Prisão no hotel após saída do clube
Após deixarem o Clube Itamirim, os atletas seguiram para o hotel onde estavam hospedados. Eles foram localizados pela Polícia Militar e presos pouco depois, sendo conduzidos à delegacia para os procedimentos legais.
Conforme relatado, os dois deveriam passar por audiência de custódia na sexta-feira (23), etapa em que a Justiça avalia a legalidade da prisão e define medidas cautelares.
Organização do torneio repudia o episódio
A organização do Itajaí Open divulgou uma nota informando que a Polícia Militar agiu prontamente e que as providências foram tomadas “dentro da legislação brasileira”. O torneio também declarou repúdio ao racismo e a qualquer forma de discriminação.
"O ocorrido durante o jogo de duplas hoje no Itajaí Open teve ação imediata da Polícia Militar que estava presente e tomou as devidas providências dentro da legislação brasileira. O Itajaí Open repudia veementemente o racismo ou a discriminação de qualquer natureza".
Racismo no esporte e resposta institucional
O caso ocorre em um contexto de crescente pressão por medidas efetivas contra o racismo no esporte, especialmente quando os episódios acontecem em espaços públicos e diante de testemunhas. A prisão em flagrante e o encaminhamento imediato à delegacia indicam uma resposta institucional mais dura diante de condutas racistas, que não podem ser tratadas como “excesso” ou “provocação” associada ao ambiente competitivo.
A detenção também reforça que manifestações racistas, ainda que ocorram durante eventos esportivos, têm consequências legais no Brasil e devem ser enfrentadas com rigor por organizadores, autoridades e entidades responsáveis pela integridade das competições.
O que acontece agora
Com os atletas presos e o caso formalizado, a tramitação inclui audiência de custódia e andamento da investigação, além de possíveis desdobramentos esportivos e disciplinares no âmbito do torneio e das entidades do tênis.


