Congo registra 515 casos de ebola e 91 mortes
Surto de ebola no Congo foi declarado em maio e envolve cepa sem vacina ou tratamento aprovado
247 - A República Democrática do Congo confirmou 515 casos de ebola e 91 mortes em um surto declarado em maio no nordeste do país, causado por uma cepa sem vacina nem tratamento aprovado, enquanto autoridades sanitárias acompanham a evolução da doença e seus possíveis reflexos regionais.
De acordo com o governo congolês, 27 novas amostras deram resultado positivo para ebola nas últimas 24 horas. O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, e é associado à cepa Bundibugyo do vírus.
A variante preocupa autoridades de saúde porque, segundo as informações disponíveis, não há vacina nem tratamento aprovado contra essa cepa específica. Entre os 515 casos confirmados até este domingo (7), 91 evoluíram para óbito.
Letalidade está abaixo de surtos anteriores
A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou na semana passada que a taxa de letalidade observada atualmente está abaixo de 25%. O índice é inferior ao registrado nos 16 surtos anteriores de ebola no Congo desde 1976.
A maioria desses surtos foi causada pela cepa Zaire, associada a taxas de letalidade entre 60% e 90%. Ainda assim, o avanço do novo episódio mantém autoridades em alerta, especialmente pela possibilidade de expansão em áreas vulneráveis e por haver casos monitorados em países vizinhos.
Em Uganda, que faz fronteira com a República Democrática do Congo, há um óbito confirmado e casos ativos da doença sob acompanhamento. A situação amplia a vigilância regional em torno da circulação do vírus.
EUA alertam para risco de agravamento
O avanço do surto também passou a preocupar autoridades dos Estados Unidos. Na sexta-feira (5), Jason Asher, diretor do departamento de previsão e análise de epidemias dos CDCs (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), afirmou que a epidemia pode alcançar proporções graves se não houver uma resposta sanitária forte.
“Sem intervenções de saúde contundentes, as modelagens indicam que um surto dessa magnitude é possível”, disse Asher.
Segundo o alerta, a epidemia poderia atingir uma dimensão comparável à crise de ebola que atingiu a África Ocidental a partir de 2014. Aquele surto, iniciado na Guiné, tornou-se o mais grave da história da doença, com mais de 28 mil casos e mais de 11 mil mortes até 2016.
Controles sanitários serão reforçados
Como parte da resposta ao risco de disseminação, o governo americano está abrindo no Quênia um centro de quarentena destinado a cidadãos dos Estados Unidos que estejam no Congo durante o período de monitoramento sanitário.
Além disso, viajantes que tenham passado pela República Democrática do Congo, por Uganda ou pelo Sudão do Sul nos últimos 21 dias serão direcionados a aeroportos específicos nos Estados Unidos. Nesses locais, deverão passar por controles adicionais de saúde.
O período de 21 dias corresponde ao tempo máximo de incubação do ebola. A doença é transmitida por contato próximo e por fluidos corporais de pessoas que já apresentam sintomas.
Ebola matou mais de 15 mil pessoas em 50 anos
O ebola está entre as doenças virais mais graves já registradas no continente africano. Ao longo dos últimos 50 anos, matou mais de 15 mil pessoas na África, segundo os dados citados no relato original.
A evolução do surto na República Democrática do Congo segue sob monitoramento de autoridades locais e internacionais, em meio à preocupação com a capacidade de resposta sanitária e com o risco de novos casos em países próximos.



