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Canetas emagrecedoras reduzem risco de câncer ligado à obesidade

Estudo aponta queda de 41% no risco de câncer ligado à obesidade em pacientes que usaram análogos de GLP-1

Canetas emagrecedoras reduzem risco de câncer ligado à obesidade (Foto: Reuters/George Frey)
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247 - Um estudo aponta que canetas emagrecedoras reduzem o risco de câncer ligado à obesidade em 41% entre pacientes com excesso de peso que utilizaram análogos de GLP-1, classe de medicamentos usada no tratamento da obesidade e conhecida por princípios ativos como semaglutida e tirzepatida, explica o jornal O Globo.

A pesquisa, publicada na revista científica Annals of Oncology, foi conduzida por cientistas do Houston Methodist Hospital, nos Estados Unidos, e é a primeira a avaliar esse possível efeito em pacientes sem diabetes, grupo que tem ampliado o uso desses medicamentos para controle de peso.

O levantamento analisou dados de 229.467 pacientes com obesidade registrados no TriNetX, banco americano que reúne prontuários eletrônicos de 113 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Entre dezembro de 2014 e junho de 2025, 86.422 pacientes receberam prescrição de semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, ou de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Outros 143.045 receberam apenas orientação sobre dieta e atividade física.

Os pacientes foram acompanhados até o diagnóstico de câncer, morte, ausência de novos registros médicos ou até completarem dois anos desde a primeira prescrição dos medicamentos ou do aconselhamento sobre hábitos de vida. A média de idade dos participantes era de 47 anos.

Para tornar a comparação mais rigorosa, os pesquisadores fizeram um pareamento entre os pacientes que usaram os medicamentos e aqueles que receberam apenas orientação sobre dieta e exercícios. Com isso, foram formados dois grupos equivalentes, cada um com 80.899 participantes.

Ao comparar os resultados, os cientistas identificaram uma redução de 41% no risco de desenvolvimento de 13 tipos de câncer associados à obesidade entre os usuários dos análogos de GLP-1 durante o período de dois anos analisado.

“O risco geral de câncer foi reduzido em 41%, e observamos reduções ainda maiores em determinados subgrupos, incluindo os homens, entre os quais o risco caiu quase 70%. Entre os cânceres ginecológicos, houve uma redução de 58% na incidência de câncer de endométrio, uma das malignidades mais estreitamente ligadas à obesidade”, afirmou Aparna Kamat, autora sênior do estudo e diretora da Divisão de Oncologia Ginecológica do Houston Methodist Hospital.

Segundo Aparna, a redução foi superior a 50% entre pacientes brancos, resultado que, de acordo com a pesquisadora, “pode refletir fatores adicionais, como acesso aos cuidados de saúde, diferentes perfis de risco e outras diferenças biológicas”.

A análise também indicou diferenças entre os medicamentos avaliados. Quando os cientistas observaram separadamente os fármacos prescritos, as maiores reduções de risco foram registradas entre usuários de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.

Os tumores ligados à obesidade incluem câncer de endométrio, mama, intestino, rim, pâncreas, tireoide, ovário, esôfago, estômago, fígado e vesícula biliar, além de mieloma múltiplo e meningioma. Segundo os autores do estudo, esses cânceres representam cerca de 40% dos diagnósticos em países de alta renda, com aumento rápido da incidência entre adultos mais jovens.

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo é observacional. Isso significa que a pesquisa identificou uma associação entre o uso dos análogos de GLP-1 e a menor incidência de câncer, mas não comprova que os medicamentos sejam a causa direta da redução do risco.

“Nossos resultados não comprovam causalidade, e a redução do risco de câncer ainda não deve ser um motivo isolado para prescrever os análogos de GLP-1. No entanto, para pacientes obesos sem diabetes que já são candidatos a esses medicamentos, nossos dados oferecem uma razão adicional e potencialmente importante para ter essa conversa”, disse Aparna.

A pesquisadora também destacou que estudos anteriores já haviam apontado um possível benefício entre pacientes com diabetes. No entanto, ela observou que grande parte dos usuários atuais desses medicamentos faz uso dos fármacos apenas para tratar a obesidade, em um perfil distinto de pacientes, “mais jovens, que representam uma população completamente diferente”.

Para os autores, os resultados devem estimular novas pesquisas sobre o papel dos análogos de GLP-1 na prevenção de cânceres associados à obesidade, especialmente em pessoas mais jovens. A equipe do Houston Methodist Hospital também pretende aprofundar a investigação sobre o câncer de endométrio, diante da redução significativa observada nesse tipo de tumor.

“Estamos estudando vias mecanísticas moduladas por esses fármacos — um trabalho que pode abrir novas estratégias de tratamento para uma das malignidades ginecológicas mais comuns”, afirmou Aparna.

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