Dermatologistas explicam sinal na cabeça retirado por Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi submetido no último domingo (9) a um procedimento
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi submetido no último domingo (9) a um procedimento dermatológico para a retirada de uma lesão de queratose no couro cabeludo. A intervenção, rápida e feita por cauterização, durou cerca de dois minutos e foi considerada de baixa complexidade pela equipe médica responsável.As informaçõessão do Metrópoles.
De acordo com a Secretaria de Comunicação da Presidência, a alteração removida está relacionada justamente ao efeito do sol ao longo dos anos. A queratose é um termo usado para descrever lesões geralmente benignas causadas pelo excesso de queratina na pele, substância que faz parte da proteção natural do corpo, mas que, em determinadas situações, passa a ser produzida em quantidade maior do que o normal.“Queratose é o nome dado a lesões geralmente benignas causadas pelo excesso de queratina na pele. Um dos tipos é a queratose actínica, que aparece com mais frequência em pessoas de pele clara e surge, principalmente, em áreas expostas ao sol. Esse tipo de lesão tem relação com a exposição solar ao longo da vida”, explica o dermatologista Gilvan Alves, da clínica Aepit, em Brasília.
Na prática, a queratose pode se manifestar como manchas, pequenas “casquinhas” ou áreas ásperas ao toque. Em muitos casos, não provoca dor e nem outros sintomas importantes, o que faz com que passe despercebida ou seja encarada como algo sem relevância. No entanto, alguns tipos exigem acompanhamento e tratamento para evitar complicações.Os especialistas costumam classificar a queratose em três principais tipos. A queratose pilar provoca pequenas elevações ásperas na pele, geralmente nos braços e coxas. A queratose seborreica aparece como manchas escuras e benignas, mais comuns com o envelhecimento. Já a queratose actínica, diagnosticada no caso de Lula, está diretamente associada à exposição prolongada ao sol e surge com mais frequência em regiões como rosto, orelhas, lábios, mãos, braços e couro cabeludo.
As lesões desse tipo costumam ser pequenas, avermelhadas e ásperas, muitas vezes mais fáceis de sentir ao passar a mão do que de enxergar no espelho. Por estar ligada ao acúmulo de radiação solar ao longo dos anos, a condição é mais comum em pessoas idosas e de pele clara, mas também pode atingir adultos mais jovens, especialmente aqueles que se expõem ao sol sem proteção adequada.
Além da radiação solar, alguns hábitos do dia a dia podem piorar o aspecto da pele e favorecer o aparecimento ou a irritação das lesões. “A exposição solar sem o uso adequado de filtro solar é, sem dúvida, um dos principais agravantes, especialmente nas queratoses relacionadas ao sol. Outro fator é a falta de hidratação da pele, que pode piorar o aspecto áspero, principalmente na queratose pilar. Banhos muito quentes, uso excessivo de sabonetes agressivos e esfoliações intensas também podem comprometer a barreira cutânea, deixando a pele mais irritada e evidenciando as lesões”, afirma a dermatologista Natasha Crepaldi, de Cuiabá.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a queratose actínica é considerada uma lesão pré-cancerígena, com potencial de evoluir para o carcinoma espinocelular, um tipo de câncer de pele. Isso significa que, embora ainda não seja um tumor, a alteração pode se transformar em câncer se não receber o tratamento adequado.
Estudos indicam que uma parcela significativa dos casos de carcinoma espinocelular tem origem em queratoses não tratadas, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento dermatológico. Por esse motivo, médicos alertam que não é seguro ignorar feridas ásperas, manchas avermelhadas ou casquinhas que não cicatrizam.
O procedimento realizado em Lula segue justamente essa lógica de prevenção. Ao remover a lesão de forma precoce e simples, reduz-se o risco de evolução para um quadro mais grave e, na maioria das vezes, evita-se a necessidade de tratamentos mais complexos no futuro. Para os especialistas, o caso serve de alerta sobre a importância do uso de protetor solar, da observação regular da pele e da busca por avaliação médica diante de qualquer alteração persistente.


