Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

Nathalia Urban
HOME > Sul Global

África do Sul busca ampliar parceria com a China de olho em mercado de 1,3 bilhão de consumidores africanos

África do Sul aprofunda cooperação econômica e industrial com a China

África do Sul busca ampliar parceria com a China de olho em mercado de 1,3 bilhão de consumidores africanos (Foto: GCIS/Jairus Mmutle)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O vice-presidente da África do Sul, Paul Mashatile, apresentou nesta semana a África do Sul como uma “base de fornecimento confiável” para fabricantes chineses durante uma visita oficial a Pequim, argumentando que o país pode oferecer às empresas acesso a 1,3 bilhão de consumidores em toda a África. A declaração antecedeu reuniões bilaterais com o vice-presidente da China, Han Zheng, de acordo com informações da NNA TV.

A iniciativa ocorre após a assinatura, no início deste ano, do Acordo-Quadro de Parceria Econômica para Prosperidade Compartilhada (CADEPA).

Ao discursar na segunda-feira para delegados no Centro de Exposições Shunyi, em Pequim, durante a 4ª Exposição Internacional da Cadeia de Suprimentos da China, Mashatile afirmou que a África do Sul oferece às empresas chinesas duas vantagens para expandir seus negócios no continente africano: acesso com tarifa zero para exportações qualificadas e entrada na Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA).

“A participação da África do Sul reflete nosso compromisso de aprofundar a parceria econômica com a China por meio do comércio, do investimento e da cooperação industrial de longo prazo”, afirmou Mashatile aos participantes.

Ele também incentivou empresas chinesas e de outros países a “fortalecer parcerias com a África do Sul” e a utilizar o país como “um ator-chave nas cadeias globais de suprimentos e uma porta de entrada para o mercado africano”.

Na terça-feira, Mashatile reuniu-se com Han Zheng em Pequim para conversas bilaterais. O encontro ocorreu após ambos terem copresidido, em março, a 9ª Comissão Binacional China-África do Sul, realizada na Cidade do Cabo, evento que Han classificou como “um sucesso completo”.

Durante as discussões, Han defendeu uma cooperação mais estreita e maior coordenação em questões globais.

Segundo ele, os dois países devem “colocar em prática os entendimentos alcançados por nossos chefes de Estado, aprofundar a confiança política e impulsionar a cooperação prática”. Como membros do BRICS e do G20, acrescentou, “China e África do Sul devem fortalecer a coordenação internacional e desempenhar um papel positivo no aprimoramento da governança econômica global”.

Mashatile reiterou o apoio da África do Sul à política de Uma Só China. Ele afirmou a Han que Pretória “permanece comprometida em aprofundar a confiança política e a cooperação mutuamente benéfica com a China”. “Estamos prontos para trabalhar com a China para proteger nossos respectivos interesses centrais”, declarou.

Além da diplomacia, a visita concentrou-se em setores que Pretória considera motores de crescimento para o futuro. Na segunda-feira, Mashatile reuniu-se em Pequim com representantes da Associação Internacional de Células de Combustível a Hidrogênio. A discussão abordou transferência de tecnologia, desenvolvimento de habilidades e manufatura local vinculadas aos planos sul-africanos para o hidrogênio verde.

A viagem também integra esforços mais amplos para fortalecer a cooperação China-África por meio do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC).

Falando em Pequim na terça-feira, o enviado da União Africana à China, Alhaji Sarjoh Bah, afirmou que as relações funcionam melhor “quando as parcerias são construídas sobre igualdade soberana, respeito mútuo, não interferência e objetivos compartilhados de desenvolvimento”. Bah observou que, desde 2000, o FOCAC ampliou a cooperação em infraestrutura, energia, saúde, tecnologia e educação — áreas que classificou como “centrais para a Agenda 2063 e para a meta da África de se tornar um continente integrado e próspero, impulsionado por seus próprios cidadãos”.

Ele acrescentou que África e China devem “aprofundar a coordenação em instituições multilaterais” e defender conjuntamente “um mundo multipolar igualitário e ordenado, além de uma globalização econômica inclusiva e universalmente benéfica”. Também destacou que ambas as partes devem defender a Carta das Nações Unidas e apoiar a resolução pacífica de disputas por meio do diálogo e da consulta.

O analista queniano Raphael Obonyo afirmou à imprensa local que o encontro reflete uma mudança nas relações China-África em direção à industrialização, à transferência de tecnologia e ao desenvolvimento de longo prazo.

“A China passou de uma base econômica modesta para a segunda maior economia do mundo por meio da transformação estrutural e da redução da pobreza”, disse Obonyo. “Essa experiência agora está moldando a cooperação com a África, indo além da ajuda e da infraestrutura para uma parceria de desenvolvimento de longo prazo.”

Embora a infraestrutura continue sendo central no engajamento da China com a África, ele observou que a relação passou a incluir também saúde, paz e segurança, além de intercâmbios entre povos. Com a China sendo o maior parceiro comercial da África há mais de uma década, Obonyo afirmou que os países africanos “deveriam aproveitar melhor a política chinesa de tarifa zero para impulsionar a manufatura e acelerar a industrialização”.

Mashatile deve concluir sua visita de Estado, realizada entre 20 e 26 de junho, em Shenzhen, onde se reunirá com empresas dos setores de tecnologia e manufatura, enquanto a África do Sul busca atrair investimentos, gerar empregos e aprofundar os laços industriais com a China.

Artigos Relacionados