Brasil amplia cooperação com a China em energia nuclear e pequenos reatores
Diálogo com a CNNC aborda cadeia do urânio, SMRs e reestruturação do setor nuclear brasileiro
247 - O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), participou nesta quinta-feira (22), em Xangai, de uma reunião com dirigentes da China National Nuclear Corporation (CNNC) para aprofundar o diálogo bilateral sobre o desenvolvimento do setor nuclear e as aplicações de tecnologias avançadas, como os pequenos reatores modulares. O encontro reforça o interesse do Brasil em soluções capazes de diversificar a matriz energética, ampliar a segurança no fornecimento de energia e contribuir para a transição para fontes de baixo carbono, segundo informações do Ministério de Minas e Energia.
Durante a conversa com o economista-chefe da CNNC, Mingang Huang, e outros representantes da estatal chinesa, Silveira destacou que o país reúne condições estruturais para avançar de forma consistente no setor. “O Brasil detém toda a cadeia nuclear, da pesquisa mineral e produção do combustível à geração de energia e à fabricação de equipamentos, o que confere ao país uma base sólida e um grande potencial para o desenvolvimento do setor”, afirmou o ministro. As informações foram divulgadas originalmente pelo Ministério de Minas e Energia.
O foco central do diálogo esteve nos Small Modular Reactors (SMRs), tecnologia considerada estratégica por combinar geração de energia estável e previsível com usos produtivos diversificados. Segundo o ministro, esse tipo de reator pode atender demandas industriais específicas, como aquecimento de processos produtivos, dessalinização de água e suporte a cadeias industriais de alto consumo energético, ampliando o papel da energia nuclear além da geração convencional de eletricidade.
Alexandre Silveira também ressaltou que a incorporação de novas soluções tecnológicas exige a modernização do setor nuclear brasileiro e uma compreensão mais ampla de seus usos industriais. Para o ministro, os SMRs representam uma oportunidade de alinhar inovação tecnológica, desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental no planejamento energético de longo prazo.
No encontro, o ministro avaliou ainda que a privatização da Eletrobras, realizada no governo anterior, contribuiu para a fragmentação do setor nuclear, ao enfraquecer a articulação entre empresas e políticas públicas. De acordo com Silveira, decisões tomadas à época resultaram em investimentos e contratações sem diretrizes claras sobre o futuro do setor e sobre a conclusão da usina de Angra 3, o que gerou custos elevados e incertezas.
Segundo o ministro, o atual governo conduz um processo de reestruturação do setor nuclear com foco na recomposição da governança, na racionalidade econômica e no alinhamento dos investimentos a uma visão estratégica de longo prazo. Nesse contexto, ele afirmou que trabalha na construção de soluções técnicas, institucionais e financeiras para viabilizar a conclusão de Angra 3, considerada fundamental para a segurança energética nacional.
Silveira destacou também que o fortalecimento do setor nuclear passa pela atração de investimentos, especialmente na pesquisa mineral e no desenvolvimento da cadeia produtiva do urânio. Embora apenas cerca de 30% do subsolo brasileiro tenha sido mapeado, o país já possui a sétima maior reserva de urânio do mundo, o que evidencia, segundo o ministro, um elevado potencial de expansão. A ampliação da prospecção e do mapeamento geológico é vista como um passo decisivo para identificar novas reservas e consolidar o Brasil como ator relevante no cenário nuclear internacional.




