Brasil assume liderança global na atração de investimentos chineses, mostra estudo
Pesquisa aponta mineração, energia renovável e mobilidade elétrica como os três motores da nova onda de aportes da China em solo brasileiro
247 - O Brasil tornou-se o principal destino dos investimentos chineses no mundo em 2025, ao receber US$ 6,1 bilhões em aportes distribuídos por 20 estados. Os dados fazem parte de levantamento divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), que também mostrou um estoque acumulado de US$ 85,5 bilhões investidos por empresas chinesas no país entre 2007 e 2025, em um total de 355 projetos.
As informações constam no estudo “Investimentos Chineses no Brasil – 2025: Mineração, Mobilidade Elétrica e Renováveis”, apresentado em evento virtual promovido pelo CEBC. O levantamento destacou a expansão dos aportes em eletricidade, mineração e indústria automotiva, setores considerados estratégicos para a transição energética global.
Segundo o diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, Tulio Cariello, os investimentos cresceram principalmente nas áreas de energia e mineração. “Os aportes em eletricidade, incluindo energias solar e eólica, têm crescido de forma contínua e chegaram a US$ 1,79 bilhão em 2025. Já os investimentos em mineração mais que triplicaram na comparação com o ano anterior, somando US$ 1,76 bilhão, com aquisições feitas por empresas chinesas em segmentos como níquel e cobre, que são essenciais para cadeias produtivas associadas à transição energética”, afirmou.
Mobilidade elétrica ganha força
O estudo também registrou avanço expressivo dos investimentos chineses na indústria automotiva brasileira. De acordo com o CEBC, o setor recebeu ao menos US$ 965 milhões em 2025, valor 66% superior ao registrado no ano anterior.
Cariello destacou que a instalação de fábricas de montadoras chinesas representa uma nova etapa da presença industrial do país asiático no Brasil. “A inauguração das fábricas da GWM e da BYD no país e o início da produção local demonstram o amadurecimento dos projetos voltados para mobilidade elétrica no Brasil”, disse.
Durante o debate promovido pelo CEBC, o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos, afirmou que o mercado brasileiro vive um processo acelerado de transformação tecnológica. Segundo ele, a experiência chinesa precisa passar por adaptações para funcionar plenamente no país.
“O modelo chinês deu muito certo, mas ele não é simplesmente exportável. Para operar e fabricar no Brasil, é preciso entender as condições locais e adaptar esse modelo à realidade brasileira”, declarou.
China amplia presença estratégica no Brasil
O representante do Bradesco em Hong Kong, Danilo Goulart, avaliou que o avanço dos investimentos chineses combina mudanças geopolíticas e fatores estruturais da economia brasileira. Segundo ele, o cenário internacional mais fragmentado e as restrições enfrentadas por empresas chinesas em outros mercados ampliaram o interesse pelo Brasil.
“O relacionamento comercial entre China e Brasil vem amadurecendo ao longo do tempo. Estamos trazendo mais setores, e o estudo mostra investimentos em 20 estados brasileiros. Isso exige conhecimento do país, da cadeia produtiva e das condições locais”, afirmou Goulart.
Na avaliação do executivo, o Brasil ganhou posição estratégica na relação bilateral por reunir mercado consumidor amplo, potencial mineral e capacidade de expansão em setores ligados à energia limpa e à infraestrutura.
Energia renovável impulsiona aportes
A CEO da SPIC Brasil, Adriana Waltrick, destacou que o país reúne vantagens competitivas para atrair empresas chinesas interessadas em energia renovável. Segundo ela, a matriz elétrica brasileira se destaca internacionalmente pela forte presença de fontes limpas.
“O Brasil tem uma matriz elétrica renovável que o mundo inteiro gostaria de ter. Estamos onde o mundo quer estar em 2050”, afirmou.
Waltrick também chamou atenção para desafios ligados à expansão do sistema elétrico nacional. Entre os pontos mencionados aparecem a necessidade de ampliar a transmissão de energia, investir em armazenamento, avançar em hidrogênio verde e acelerar a digitalizaç




