Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Brasil e Coreia do Sul firmam acordos para expandir comércio e cooperação em minerais críticos

Presidentes firmam 10 acordos em minerais críticos, comércio e economia digital e defendem avanço de tratado entre Coreia do Sul e Mercosul

Lula e Lee Jae-Myung (Foto: Jeon Heon-Kyun/Pool via Reuters)

247 - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Lee Jae Myung anunciaram nesta segunda-feira (23), em Seul, a ampliação da cooperação bilateral entre Brasil e Coreia do Sul em áreas como comércio, minerais estratégicos, tecnologia e cultura. Ao final do primeiro encontro oficial no país asiático em 21 anos, os líderes confirmaram a decisão de elevar o relacionamento ao status de parceria estratégica, em movimento que ocorre em meio a incertezas no comércio global diante de dúvidas sobre tarifas dos Estados Unidos, relata a agência Reuters.

Os dois governos também acordaram a adoção de um plano de ação com duração de quatro anos para estabelecer medidas concretas de fortalecimento da cooperação em setores como minerais estratégicos, defesa, indústria espacial e segurança alimentar. O encontro ocorreu na Casa Azul, sede presidencial sul-coreana, e foi seguido por uma cerimônia conjunta para formalização de acordos.

Durante a coletiva de imprensa, Lee Jae Myung ressaltou a importância da estabilidade regional e da cooperação internacional. “A paz, construída em condições em que o conflito não é necessário, é a forma mais forte de segurança”, afirmou o presidente sul-coreano. Ele acrescentou que os dois países trabalharão juntos para apoiar a estabilidade na Península Coreana.

Ao todo, foram assinados 10 memorandos de entendimento abrangendo comércio e política industrial, minerais essenciais, economia digital — incluindo inteligência artificial —, agricultura, saúde e biotecnologia, intercâmbio de pequenas empresas e cooperação policial contra crimes cibernéticos, narcotráfico e outras ameaças transnacionais.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Coreia do Sul na América do Sul, o que reforça o peso da agenda econômica nas negociações. Lula destacou o potencial brasileiro na área de recursos minerais estratégicos e sinalizou interesse em ampliar investimentos sul-coreanos no país. Segundo o presidente, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, além de expressivas jazidas de níquel, e o governo busca atrair empresas sul-coreanas para esses segmentos.

Os dois líderes também defenderam a retomada das negociações para a conclusão de um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul. As tratativas tiveram início em 2018, mas foram suspensas devido a divergências relacionadas à proteção de produtos agrícolas e manufaturados.

Além da pauta econômica, Lula propôs ampliar o diálogo sobre indústrias verdes e transição energética e convidou a Coreia do Sul a participar do Fundo Amazônia, mecanismo de financiamento voltado à conservação da floresta.

Antes do encontro oficial, Lee publicou mensagem na rede X dando boas-vindas ao presidente brasileiro e destacando afinidades pessoais e políticas. “Como ex-trabalhador infantil, você provou com toda a sua vida que a democracia é a ferramenta mais poderosa para o progresso social e econômico”, escreveu. “Apoio sua vida, sua luta e suas conquistas, que permanecerão para sempre na história da democracia global.”

Os dois chefes de Estado já haviam se reunido anteriormente durante a cúpula do G7, no Canadá, no ano passado, e também no encontro do G20, na África do Sul. A visita de Estado incluiu cerimônia oficial na Casa Azul e previsão de banquete com pratos típicos, além de apresentação de músicas brasileiras por uma banda de jazz sul-coreana acompanhada por um coral infantil, segundo o gabinete presidencial de Seul.

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