Na Coreia, Lula cita Ásia como "centro dinâmico da economia mundial"
Presidente eleva relação com a Coreia do Sul a Parceria Estratégica e anuncia acordos em comércio, tecnologia, saúde e clima
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (23), em Seul, que a Ásia se consolidou como o “centro dinâmico da economia mundial” e destacou o fortalecimento das relações do Brasil com países do continente ao longo de seu terceiro mandato. A declaração foi feita ao lado do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, durante pronunciamento à imprensa na capital sul-coreana.
Em discurso, Lula classificou a viagem como o encerramento de um ciclo estratégico da política externa brasileira. “Esta visita de Estado conclui um ciclo fundamental da política externa do Brasil em meu terceiro mandato”, declarou. Segundo ele, “nos últimos três anos, fortalecemos vínculos com a Ásia, centro dinâmico da economia mundial”. O presidente lembrou visitas à China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia e Vietnã, além de ter sido, em outubro passado, “o primeiro presidente brasileiro a participar de uma Cúpula da ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático]”.
Ao mencionar a Coreia do Sul, Lula ressaltou o papel do país como “referência mundial em tecnologia, inovação e cultura”. Ele anunciou que Brasil e Coreia decidiram elevar o relacionamento bilateral ao nível de Parceria Estratégica e lançar um Plano de Ação com iniciativas previstas para os próximos três anos. “Hoje, elevamos o relacionamento entre Brasil e Coreia ao patamar de Parceria Estratégica e lançamos um Plano de Ação com iniciativas concretas para os próximos três anos”, afirmou.
O presidente destacou ainda o compromisso comum com temas globais. “Brasil e Coreia são firmes defensores da paz, do multilateralismo e do direito internacional”, disse. Ele também elogiou a atuação sul-coreana na agenda ambiental. “A Coreia é parceira na luta contra a mudança climática e atuou de forma muito construtiva na COP-30, em Belém". Lula acrescentou que “a nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) coreana reflete o compromisso com a descarbonização”.
No campo econômico, Lula ressaltou o histórico de cooperação entre os dois países. “O Brasil é o principal destino dos investimentos coreanos na América Latina”, afirmou. Segundo ele, com um intercâmbio comercial de 11 bilhões de dólares, a Coreia do Sul ocupa a posição de quarto parceiro comercial do Brasil na Ásia. Apesar disso, avaliou que ainda há espaço para ampliar a parceria. “Mas ainda temos muitas sinergias a serem exploradas".
Entre as áreas com potencial de expansão, o presidente citou a transição energética, as cadeias de minerais críticos e segmentos de alta tecnologia. “A transição energética abre novas frentes de complementariedade entre setores produtivos. As cadeias de minerais críticos guardam inúmeras oportunidades de agregação de valor. Há amplo espaço para cooperação em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial”, afirmou.
Lula também mencionou tratativas comerciais específicas. “Expus ao presidente Lee que a conclusão dos procedimentos sanitários para a exportação de carne bovina brasileira poderá beneficiar os consumidores coreanos”, declarou. Ele apontou ainda oportunidades de cooperação em setores como indústria de beleza e audiovisual.
Para estimular investimentos bilaterais, os dois países celebraram um Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva, com o objetivo de facilitar o comércio, harmonizar normas regulatórias e oferecer maior segurança jurídica às empresas. Também foi firmado um Memorando voltado ao fortalecimento da cooperação financeira em áreas de interesse comum.
No plano regional, Lula informou que discutiu com Lee Jae-myung alternativas para retomar as negociações entre o MERCOSUL e a República da Coreia, interrompidas em 2021. Além disso, foram assinados acordos em áreas como saúde, empreendedorismo, agricultura, ciência e tecnologia e combate ao crime organizado transnacional.
Na saúde, os instrumentos abrangem produção de medicamentos e vacinas, pesquisas em diagnóstico de doenças transmissíveis e crônicas, além de iniciativas em genômica avançada e saúde digital. Ao encerrar a declaração, Lula afirmou que os entendimentos firmados marcam o início de uma nova etapa na relação bilateral. “Agora, damos início a um renovado ciclo de desenvolvimento e prosperidade compartilhada entre Brasil e Coreia.”




