Brasil e Índia firmam acordo para produzir canetas emagrecedoras e remédios contra câncer
SUS investirá R$ 10 bilhões em 10 anos para viabilizar fabricação dos medicamentos e garantir mercado durante o período de transferência tecnológica
247 - Brasil e Índia firmaram acordos de transferência de tecnologia para a produção de medicamentos contra câncer e peptídeos, incluindo as chamadas canetas emagrecedoras. As medidas fazem parte dos resultados da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país asiático. As informações são do Valor Econômico.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os entendimentos incluem medicamentos ultramodernos para tratamento de câncer de mama, câncer de pele e leucemia. O Sistema Único de Saúde (SUS) vai investir R$ 10 bilhões ao longo de 10 anos para viabilizar a produção nacional desses medicamentos. A estratégia prevê a utilização do poder de compra do SUS para garantir mercado durante o período de transferência tecnológica.
Transferência de tecnologia
De acordo com Padilha, os acordos envolvem a produção dos chamados peptídeos, atualmente conhecidos como canetas emagrecedoras. "Fizemos acordos de transferência de tecnologia dos chamados peptídeos, que hoje são conhecidos como canetas emagrecedoras, mas que são uma plataforma tecnológica muito importante, que a gente quer dominar", declarou.
A tecnologia será transferida para a Fiocruz, a BahiaFarma, a Fundação para o Remédio Popular, conhecida como Furp, e a Bionovis, associação formada por empresas privadas da indústria farmacêutica voltada à produção de medicamentos biológicos e biossimilares. "São acordos de transferência de tecnologia, onde você usa o poder de compra do SUS, que vai fazer a compra dos medicamentos por 10 anos", explicou o ministro. Segundo ele, o modelo garante mercado enquanto ocorre a capacitação técnica e a instalação de equipamentos necessários para dominar a tecnologia.
Parcerias internacionais
Entre os entendimentos firmados está um acordo entre a Fiocruz, a Biological e o Serum Institute, que prevê desenvolvimento conjunto de medicamentos biológicos, peptídeos, vacinas e testes diagnósticos. Padilha informou que os acordos na área de peptídeos envolvem empresas privadas brasileiras e indianas. Segundo ele, ainda não se trata de contratos financeiros, mas de transferência tecnológica com foco na futura entrada no mercado brasileiro.
O ministro destacou que a Índia avançou na produção de princípios ativos e ampliou sua atuação na indústria farmacêutica. Ele afirmou ainda que o Brasil também evoluiu na produção de medicamentos biológicos nos últimos anos. Além da Índia, há interesse em parcerias semelhantes com China, Coreia, Europa e Estados Unidos. Padilha acompanhou Lula em viagem à Coreia, onde estão previstas novas cooperações.
Patente e ampliação da oferta
Em março, termina o prazo da patente de uma das canetas emagrecedoras comercializadas no Brasil, o Ozempic. Segundo o ministro, as parcerias buscam ampliar a oferta desses produtos no país. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou edital para registro da medicação após o encerramento da patente. Empresas brasileiras que estejam produzindo terão prioridade.
Padilha afirmou que a redução dos preços das canetas integra um conjunto de medidas para enfrentamento da obesidade. Ele citou a reforma tributária, que zerou impostos para alimentos saudáveis e estabeleceu taxação sobre bebidas açucaradas, além do programa Viva Mais Brasil, que repassa recursos a prefeituras para contratação de profissionais de educação física e fisioterapeutas. Após eventual redução de preços, o governo discutirá a possibilidade de incorporação das canetas emagrecedoras ao SUS ainda neste ano.


