China acelera integração de energia renovável à rede e mira novo salto na transição verde
Administração Nacional de Energia defende medidas mais fortes para ampliar consumo, geração e conexão de fontes limpas durante o 15º Plano Quinquenal
247 – A Administração Nacional de Energia da China (NEA, na sigla em inglês) pediu a adoção de medidas mais fortes para ampliar a integração das novas fontes de energia à rede elétrica e elevar o consumo de energia limpa no país, em um movimento considerado estratégico para garantir um início sólido ao 15º Plano Quinquenal, que cobrirá o período de 2026 a 2030.
As informações foram divulgadas pelo jornal chinês Global Times, com base em comunicado publicado pela NEA em sua conta oficial no WeChat. Segundo a autoridade energética chinesa, o papel das energias renováveis na segurança do abastecimento e na transição industrial tornou-se cada vez mais relevante para a economia do país.
Cinco capacidades estratégicas para a nova energia
De acordo com a NEA, a China pretende avançar de forma abrangente em cinco capacidades consideradas centrais para elevar o nível de integração e consumo das novas fontes de energia: conexão à rede elétrica, regulação, despacho, previsão e apoio mútuo entre diferentes regiões.
A diretriz foi apresentada durante uma reunião mensal por vídeo sobre a operação, o desenvolvimento e a construção de projetos de energia renovável no país. A autoridade destacou que o avanço das fontes limpas deve ocorrer com base em planejamento científico e construção ordenada, de forma a assegurar eficiência, estabilidade e segurança no sistema elétrico.
O objetivo é enfrentar um dos principais desafios da expansão acelerada da energia renovável: garantir que a eletricidade produzida por parques solares, eólicos e outras fontes limpas seja efetivamente absorvida pela rede, evitando desperdícios e gargalos de transmissão.
Renováveis já respondem por mais de 60% da capacidade instalada
Na reunião, a NEA informou que o desenvolvimento das energias renováveis manteve ritmo de crescimento constante nos quatro primeiros meses do ano. Até o fim de abril, a capacidade instalada de energia renovável na China havia ultrapassado 2,4 bilhões de quilowatts, o equivalente a 60,5% de toda a capacidade de geração elétrica instalada no país.
A nova capacidade adicionada por fontes renováveis chegou a 75,16 milhões de quilowatts no período, representando 70,7% de todas as novas instalações de geração elétrica. A produção de energia renovável alcançou 1,2 trilhão de quilowatts-hora, respondendo por 36,4% do consumo total de eletricidade.
Os dados também mostram o peso crescente da energia eólica e solar na matriz chinesa. A capacidade acumulada conectada à rede dessas duas fontes atingiu 1,911 bilhão de quilowatts, com geração total de 805,2 bilhões de quilowatts-hora. Esse volume correspondeu a 24,1% do consumo total de eletricidade do país.
Consumo local e grandes projetos solares e eólicos
A NEA propôs promover de forma ativa o consumo local e próximo das novas fontes de energia. A estratégia busca reduzir a pressão sobre grandes linhas de transmissão, melhorar a eficiência do sistema e facilitar o uso da eletricidade limpa nas regiões onde ela é produzida.
A autoridade também pediu continuidade nos esforços para avançar em grandes projetos de energia eólica e solar, acelerar os procedimentos prévios à construção e organizar os cronogramas de obras de maneira racional, de modo a garantir o andamento dos empreendimentos.
A diretriz reforça a prioridade chinesa de combinar expansão em larga escala com planejamento técnico e coordenação territorial. Em um país de dimensões continentais, a capacidade de conectar centros de geração renovável a polos industriais e urbanos é decisiva para sustentar a transição energética.
Mecanismos de mercado e armazenamento de energia
Outro ponto destacado pela NEA foi a necessidade de acelerar o aperfeiçoamento dos mecanismos de mercado que estimulem a geração e o consumo de novas energias. A autoridade defendeu a observância das regras de flutuação dos preços de mercado para garantir receitas estáveis às empresas do setor.
Ao mesmo tempo, a NEA pediu a criação de um sistema adequado de preços capaz de impulsionar o desenvolvimento do armazenamento de energia. Essa área é considerada essencial para lidar com a intermitência de fontes como solar e eólica, armazenando eletricidade em momentos de alta geração e liberando energia quando há maior demanda.
A medida também está alinhada às metas chinesas de atingir o pico de emissões de carbono e avançar rumo à neutralidade de carbono. O fortalecimento do armazenamento, combinado à expansão da rede e ao aprimoramento do despacho elétrico, tende a ampliar a participação das fontes renováveis no sistema sem comprometer a segurança energética.
Demanda adicional de eletricidade já foi suprida por energia verde
Segundo a CCTV News, em 2025 a demanda incremental de eletricidade gerada pelo crescimento econômico da China foi, pela primeira vez, totalmente atendida por energia verde. A informação consta do Relatório de Desenvolvimento de Energia Renovável da China, divulgado em 12 de junho.
No mesmo ano, a nova capacidade instalada de energia renovável no país atingiu um recorde histórico, respondendo por mais de 60% do total global. O resultado reforça o protagonismo da China na transição energética mundial e na expansão das tecnologias limpas.
Para 2026, a estimativa é que cerca de 300 milhões de quilowatts de nova capacidade eólica e solar sejam instalados no país. Com isso, as energias renováveis devem seguir como o principal motor da transformação verde da indústria chinesa.
Transição energética como eixo industrial
A orientação da Administração Nacional de Energia revela que a China busca avançar simultaneamente em três frentes: ampliar a geração renovável, aumentar a capacidade de consumo da energia limpa e modernizar os mecanismos de mercado e armazenamento.
A expansão das renováveis deixou de ser apenas uma política ambiental e passou a ocupar papel central na estratégia industrial, tecnológica e energética do país. Ao fortalecer redes, mercados e sistemas de armazenamento, Pequim procura garantir que a energia limpa seja integrada de forma estável à economia real.
Com capacidade instalada superior a 2,4 bilhões de quilowatts em fontes renováveis e novas metas de expansão para 2026, a China consolida sua posição como principal força global na transição energética e no desenvolvimento de uma matriz elétrica de baixo carbono.





