Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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China aposta no bambu para reduzir uso de plástico

O mercado chinês reúne mais de 15 mil tipos de itens e emprega aproximadamente 29 milhões de pessoas ao longo de toda a cadeia produtiva

Bandeira da China e pedaços de bambu (Foto: Maxim Shemetov/Reuters I Reprodução (via TV BRICS))

247 - A indústria chinesa de produtos feitos a partir do bambu vem se consolidando como uma das principais alternativas sustentáveis ao uso do plástico, com faturamento anual superior a US$ 74 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 392 bilhões. O mercado já reúne mais de 15 mil tipos de itens e emprega aproximadamente 29 milhões de pessoas ao longo de toda a cadeia produtiva, segundo dados divulgados pelo China Daily, parceiro da TV BRICS.

O avanço do setor é resultado direto de políticas públicas direcionadas, investimentos governamentais e progresso tecnológico, que transformaram o bambu em um insumo estratégico para a economia verde do país. As autoridades chinesas têm apostado no material como pilar para reduzir o uso de plásticos e ampliar práticas ligadas ao desenvolvimento sustentável.

Informações da Administração Nacional de Florestas e Pastagens indicam que a China vem estruturando uma cadeia produtiva integrada voltada especificamente à substituição de produtos plásticos por soluções desenvolvidas com bambu. A estratégia envolve desde o manejo florestal até o processamento industrial e a expansão do uso do material em diferentes setores.

Atualmente, produtos à base de bambu estão presentes em segmentos como construção civil, embalagens, bens de consumo e até na indústria automotiva. O crescimento do setor reflete tanto o fortalecimento da capacidade produtiva quanto a diversificação das aplicações do material, considerado renovável e de baixo impacto ambiental.

Nos últimos três anos, um plano de ação específico orientou a implantação de medidas estruturadas para o desenvolvimento da indústria. Entre as iniciativas, destacam-se a criação de polos industriais especializados e o fortalecimento do ecossistema produtivo. Nesse período, mais de US$ 129 milhões — cerca de R$ 680 milhões — foram destinados pelo governo chinês ao apoio direto das atividades de processamento do bambu.

Paralelamente, a China avançou de forma significativa na padronização da produção. Foi estabelecido um sistema normativo que abrange nove categorias e 140 itens, além da elaboração de diversos padrões internacionais voltados a produtos fabricados com bambu, o que amplia a competitividade do setor no mercado global.

O país conta hoje com mais de 10 mil empresas especializadas no processamento desse recurso natural. As florestas de bambu ocupam quase 8 milhões de hectares do território chinês e apresentam uma produção anual estimada em cerca de 150 milhões de toneladas, o que garante oferta contínua para a expansão industrial.

Durante o 15º Plano Quinquenal (2026–2030), as autoridades chinesas anunciaram novas medidas de estímulo ao setor, com foco no fortalecimento da economia circular, na ampliação das inovações tecnológicas e no aprimoramento dos padrões técnicos. A expectativa é consolidar o bambu como um dos principais vetores do desenvolvimento sustentável da China nos próximos anos.

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