Índia quer aumentar a participação no mercado químico global até 2030
A perspectiva é a de que o valor total da indústria química indiana atinja US$ 1 trilhão até 2040
247 - O governo da Índia projeta um crescimento significativo da presença do país no mercado químico internacional nas próximas décadas. A estimativa oficial aponta que a participação indiana nesse setor poderá alcançar entre 5% e 6% do mercado global até 2030, com perspectiva de que o valor total da indústria química nacional atinja US$ 1 trilhão até 2040.
As informações foram apresentadas pelo ministro da Saúde e Bem-Estar da Família e também responsável pela pasta de Indústria Química e Fertilizantes, JP Nadda, conforme reportagem divulgada pela IANS, parceira da TV BRICS. O ministro destacou as estratégias do governo para impulsionar o crescimento da indústria química e ampliar a competitividade do país no cenário internacional.
Participação atual e força em segmentos específicos
Atualmente, a Índia responde por cerca de 3% do mercado químico global. A produção do setor no país soma aproximadamente 19,4 trilhões de rúpias, o equivalente a cerca de R$ 1 trilhão.
Entre os segmentos em que a indústria indiana apresenta maior destaque estão corantes e agroquímicos, áreas nas quais o país já possui forte presença no comércio internacional.
Investimentos em biotecnologia e inovação
Para sustentar a expansão da indústria química, o governo indiano tem direcionado investimentos para áreas estratégicas, especialmente a biotecnologia e a modernização da infraestrutura produtiva. No orçamento público foram destinados 230 bilhões de rúpias — aproximadamente R$ 15 bilhões — para programas específicos de desenvolvimento.
Esses recursos deverão apoiar principalmente a produção de biofármacos, incluindo medicamentos biossimilares, considerados um dos segmentos mais promissores da indústria farmacêutica global.
Segundo o ministro JP Nadda, a expectativa é que os biofármacos representem cerca de 40% do mercado mundial de medicamentos até 2035. Ele também destacou que, até 2030, expirarão patentes avaliadas em aproximadamente US$ 300 bilhões, o que pode abrir novas oportunidades para fabricantes de biossimilares.
Com participação estimada em 1% do mercado global de biofármacos, a Índia poderá alcançar receitas anuais próximas de 2 trilhões de rúpias, cerca de R$ 130 bilhões.
Fortalecimento da pesquisa e da regulação
O governo também pretende ampliar a capacidade de pesquisa e desenvolvimento no setor farmacêutico. A agência responsável pela padronização de medicamentos e pelos processos regulatórios atuará para acelerar a aprovação de biofármacos e medicamentos produzidos por fermentação.
Entre as medidas previstas está a criação de mil centros de testes clínicos em todo o país, o que deve fortalecer a infraestrutura científica e ampliar o potencial de inovação da indústria farmacêutica indiana.
Infraestrutura industrial como desafio
Um dos principais entraves ao crescimento do setor químico identificado pelo governo é a deficiência de infraestrutura industrial. Para enfrentar esse problema, está prevista a construção de três parques industriais químicos especializados em diferentes estados do país.
Esses complexos industriais deverão contar com infraestrutura pronta para operação, sistemas modernos de tratamento de água e mecanismos integrados de segurança.
Além disso, o modelo prevê a integração produtiva entre empresas instaladas nesses parques. A ideia é que os resíduos e subprodutos de uma indústria possam ser utilizados por outra, prática que pode reduzir os custos operacionais entre 20% e 40% e estimular a chamada economia circular.
Formação de profissionais para o setor
Outra frente da estratégia governamental envolve o fortalecimento da formação de mão de obra qualificada. O plano prevê a ampliação e integração de institutos de ensino especializados, conectando-os diretamente ao sistema de capacitação profissional voltado à indústria química.
A iniciativa busca garantir a disponibilidade de profissionais qualificados para acompanhar o crescimento projetado do setor e apoiar o desenvolvimento tecnológico da indústria química indiana.




