Iraque anuncia a intenção de ingressar no BRICS
Diplomata iraquiano afirma que adesão ao bloco seria “uma boa ideia” e reforça a crescente atração do Sul Global pelo grupo
247 – O Iraque espera um dia integrar o BRICS, afirmou o embaixador iraquiano na Rússia, Dr. Abdul-Karim Hashim Mostafa, em entrevista à agência TASS. A declaração reforça o crescente interesse de países do Sul Global em se aproximar do bloco, que ampliou sua composição nos últimos anos e passou a ocupar espaço cada vez mais relevante no debate sobre uma ordem internacional multipolar.
“O BRICS é uma organização muito importante e espero que o Iraque um dia faça parte dela”, disse o diplomata iraquiano à TASS, em Moscou.
Segundo o embaixador, uma eventual entrada do Iraque no BRICS dependeria de diferentes fatores, incluindo as regras internas do bloco e os critérios definidos para novas adesões. “Depende de muitas coisas. Depende de como a organização está organizada, de quais são as condições para fazer parte do BRICS. Mas, definitivamente, seria uma boa ideia”, afirmou Mostafa.
A manifestação do Iraque ocorre em um contexto de forte expansão do BRICS. Criado por iniciativa da Rússia em 2006, o grupo teve como membros fundadores Brasil, Rússia, Índia e China. Com a entrada da África do Sul, em 2011, passou a ser conhecido como BRICS.
Em sua primeira cúpula, realizada em junho de 2009 em Yekaterinburg, na Rússia, o bloco definiu como objetivo desenvolver um diálogo e uma cooperação consistentes, ativos, pragmáticos e abertos entre seus integrantes. Posteriormente, o BRICS também adotou os princípios de não alinhamento e de não direcionamento contra terceiros.
Nos últimos anos, o grupo ampliou sua presença geopolítica. Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos e Etiópia tornaram-se membros plenos em janeiro de 2024. A Indonésia passou a integrar o bloco em janeiro de 2025.
A possível aproximação do Iraque com o BRICS teria peso simbólico e estratégico. O país ocupa posição relevante no Oriente Médio, é um dos grandes produtores de petróleo e mantém relações importantes com potências regionais e globais. Sua eventual entrada no bloco reforçaria a presença do BRICS em uma região central para a segurança energética e para a reorganização das relações internacionais.
A declaração do embaixador iraquiano também evidencia a capacidade de atração do BRICS entre países que buscam diversificar parcerias econômicas, ampliar sua margem de autonomia diplomática e participar de mecanismos multilaterais menos subordinados à lógica das potências ocidentais.
Com a ampliação recente, o BRICS passou a reunir economias de grande peso demográfico, energético e produtivo. A entrada de novos membros e o interesse de outros países em aderir ao grupo apontam para a consolidação de um polo internacional voltado à cooperação entre nações emergentes e em desenvolvimento.
Embora o embaixador iraquiano não tenha indicado a existência de um pedido formal de adesão, sua declaração sinaliza que Bagdá vê o BRICS como uma plataforma relevante para o futuro de sua inserção internacional.





