Nathalia Urban por Milenna Saraiva

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Partidos sul-africanos se dividem após discurso de Ramaphosa sobre imigração

Presidente da África do Sul reconheceu as preocupações públicas com a migração sem documentação

Cyril Ramaphosa (Foto: Reuters)
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247 - Os partidos políticos sul-africanos estão divididos em relação ao discurso do presidente Cyril Ramaphosa sobre imigração ilegal. O partido uMkhonto we Sizwe (MKP) confirmou que participará de uma marcha de protesto em Durban nesta semana, enquanto outras legendas da oposição classificaram as propostas do presidente como vagas e sem vontade política para serem implementadas. As informações são da NNA News

Ramaphosa dirigiu-se à nação na noite de segunda-feira após movimentos comunitários e partidos de oposição intensificarem os apelos por uma aplicação mais rigorosa das leis de imigração. Ele reconheceu as preocupações públicas com a migração sem documentação, empresas de estrangeiros em áreas periféricas, criminalidade, desemprego e pressão sobre os serviços públicos, mas não anunciou nenhuma nova legislação.

O MKP, liderado pelo ex-presidente Jacob Zuma, informou que participará de uma marcha em Durban na quarta-feira, 10 de junho de 2026, ao lado do grupo anti-imigração March and March. Em comunicado divulgado em 8 de junho, o movimento informou ter convidado organizações civis para participar do protesto, que terá início às 9h no Estádio Curries Fountain.

“Estamos convocando todos os nossos membros para se juntarem à marcha em 10 de junho de 2026. Vamos recuperar nossa cidade”, afirmou o grupo.

Uma segunda marcha está prevista para a Cidade do Cabo em 16 de junho. Um panfleto que circula nas redes sociais indica como ponto de partida o monumento Mandela Glasses, em Sea Point. A NNA NEWS informou que não conseguiu verificar de forma independente se a manifestação recebeu autorização oficial.

O líder da bancada do MKP, Philasande Mkhize, declarou a jornalistas que o partido deseja apenas a aplicação consistente das leis já existentes.

“A África do Sul tem leis de imigração e elas devem ser aplicadas corretamente”, disse Mkhize.

O Partido da Liberdade Inkatha (IFP) classificou a situação como uma crise nacional. O porta-voz nacional da legenda, Mkhuleko Hlengwa, afirmou que faltou vontade política para lidar com o problema.

“Indivíduos que forem encontrados no país de forma ilegal devem ser devolvidos aos seus países de origem”, declarou Hlengwa.

Os Combatentes da Liberdade Econômica (EFF) rejeitaram o pronunciamento de Ramaphosa. O deputado Sam Matiase argumentou que o presidente não apresentou nenhuma solução para a crise migratória.

“O governo tem sido amplamente indiferente enquanto ataques contra estrangeiros continuam em várias partes do país”, afirmou Matiase. “O presidente só está respondendo agora por causa da pressão vinda da base da sociedade, e não porque tenha um plano genuíno.”

A fundadora do March and March, Jacinta Ngobese-Zuma, recebeu positivamente o reconhecimento, por parte de Ramaphosa, dos problemas relacionados à economia informal e ao mercado de trabalho, mas questionou a viabilidade das propostas.

“Quero reconhecer que estamos satisfeitos porque ele admitiu algumas questões, como estrangeiros operando negócios nas townships, atividades criminosas e o impacto no mercado de trabalho”, afirmou.

No entanto, Ngobese-Zuma acrescentou: “Não acredito que o presidente tenha sido devidamente informado... Algumas das coisas, senão todas, que ele disse não poderão ser implementadas.”

No comunicado de 8 de junho, o March and March também exigiu que a economia das townships fosse “devolvida aos seus legítimos proprietários” e que os municípios apresentassem, em até 14 dias, um plano para “recuperar” prédios públicos supostamente ocupados ilegalmente. O grupo citou o centro de Durban, afirmando que a área “foi tomada por imigrantes ilegais e sindicatos criminosos liderados por estrangeiros da Somália, Paquistão e Nigéria”.

O Congresso Nacional Africano (ANC) saiu em defesa da abordagem adotada pelo presidente. A porta-voz do partido, Mahlengi Bhengu-Motsiri, afirmou que Ramaphosa procura equilibrar diferentes pontos de vista enquanto responde às preocupações da população.

“O presidente está realmente falando aos corações e mentes dos sul-africanos e tentando dialogar com todos”, disse Bhengu-Motsiri.

O Movimento de Transformação Africana (ATM), por sua vez, permaneceu cético. O líder do partido, Vuyo Zungula, alertou que o discurso poderia criar falsas expectativas.

“O que o presidente Ramaphosa está tentando fazer é dar aos patriotas uma falsa esperança de que o governo realmente enfrentará o problema”, afirmou Zungula. “Essas tensões persistem há quase duas décadas e governos sucessivos fracassaram em apresentar soluções concretas.”

A variedade de reações demonstra como a imigração se tornou um tema central do debate político às vésperas das marchas previstas para 10 e 16 de junho. O grupo March and March declarou que “a África do Sul pertence a nós, não aos políticos”, e pediu que todos os partidos incluam suas reivindicações em qualquer documento entregue ao governo.

A Presidência sul-africana não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. O Serviço de Polícia da África do Sul e a Prefeitura da Cidade do Cabo também não confirmaram de imediato se as autorizações para as marchas planejadas haviam sido concedidas.

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