Ramaphosa pede que empresas contratem jovens sem experiência enquanto desemprego juvenil atinge 46% na África do Sul
Dados oficiais da África do Sul mostram que 4,7 milhões de jovens entre 18 e 35 anos estão desempregados
247 - O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, pediu nesta terça-feira que as empresas sul-africanas contratem jovens sem experiência profissional, alertando que o país corre o risco de “perder uma geração” diante do desemprego juvenil, que alcançou 46%. As informações são da NNA News.
Falando no Estádio FNB durante a comemoração do Dia da Juventude, em 16 de junho, que marca os 50 anos da Revolta de Soweto de 1976, Ramaphosa afirmou que o desemprego continua sendo o desafio mais urgente do país, apesar dos programas governamentais de geração de empregos.
“Por trás de cada estatística há um jovem que quer trabalhar, contribuir e construir um futuro”, disse Ramaphosa às milhares de pessoas reunidas para marcar a data. “Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar o talento e o potencial da nossa juventude.”
Dados oficiais da África do Sul mostram que 4,7 milhões de jovens entre 18 e 35 anos estão desempregados. Durante seu discurso, o presidente fez um apelo direto aos empregadores para que eliminem as exigências de experiência prévia em vagas de entrada.
“O jovem à sua frente não carece de capacidade. Falta-lhe apenas a oportunidade de prová-la. Contratem pelo potencial, não apenas pela experiência”, afirmou.
Ramaphosa descreveu ainda um “círculo vicioso” que aprisiona quem busca o primeiro emprego. Segundo ele, os empregadores exigem experiência para cargos iniciais, mas os recém-formados não conseguem adquirir essa experiência sem antes serem contratados.
“Por isso, conclamamos os empregadores a contratar um jovem e abrir mão da exigência de experiência”, pediu.
Traçando um paralelo entre passado e presente, o presidente explicou que os jovens de 1976 lutaram contra a exclusão educacional, enquanto a juventude atual enfrenta o desemprego, a pobreza e a desigualdade.
“A luta deles era para entrar na sala de aula. A nossa é garantir que o que começa na sala de aula não termine na fila do desemprego”, declarou.
O presidente sul-africano também reconheceu as frustrações de graduados incapazes de encontrar trabalho, empreendedores com dificuldades para obter financiamento e profissionais qualificados sem oportunidades.
“Não podemos aceitar essa situação como algo normal”, acrescentou.
Ramaphosa afirmou que o governo está ampliando suas iniciativas. Mais de 5,7 milhões de jovens já se registraram na plataforma SAYouth.mobi, e mais de 2 milhões acessaram oportunidades de geração de renda por meio dela. Segundo ele, o Programa Presidencial de Estímulo ao Emprego criou trabalho para mais de 2,5 milhões de sul-africanos, dos quais 82% são jovens.
Ele também explicou que o governo pretende investir 1 trilhão de rands em infraestrutura nos próximos três anos, com foco em programas de aprendizagem profissional e formação de técnicos nos setores de construção, energia e habitação.
“Nossa prioridade geral é desenvolver uma economia inclusiva que crie empregos sustentáveis em larga escala”, enfatizou Ramaphosa. Ele acrescentou que o governo continuará apoiando as empresas por meio do Incentivo Fiscal ao Emprego para estimular a contratação de jovens.
O presidente afirmou que o progresso da África do Sul será medido pela capacidade de garantir a transição dos jovens da educação para a qualificação profissional, o emprego e o empreendedorismo.
“É assim que honramos a juventude de 1976”, concluiu. “Construindo uma África do Sul na qual cada jovem tenha uma oportunidade justa de aprender, trabalhar, servir, construir, criar, possuir e viver com dignidade.”





