Casa Branca diz que árbitro somali barrado na Copa “falava com pessoas perigosas”
Omar Artan, primeiro árbitro da Somália convocado para o Mundial, foi impedido de ingressar nos EUA após interrogatório migratório em Miami
247 - A decisão das autoridades dos Estados Unidos de impedir a entrada do árbitro somali Omar Artan para atuar na Copa do Mundo de 2026 ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (12). A Casa Branca endureceu o discurso sobre o caso e passou a associar a medida a preocupações de segurança nacional.
Omar Artan, que faria história como o primeiro árbitro da Somália a trabalhar em uma Copa do Mundo masculina, foi impedido de ingressar no país após desembarcar em Miami. Agora, Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa da Casa Branca para o Mundial, afirmou que o profissional mantinha contatos recentes com pessoas consideradas uma ameaça à segurança dos Estados Unidos.
Em entrevista à rádio britânica talkSPORT, Giuliani classificou o árbitro como um “mau ator” e declarou:
“Há algumas coisas sobre as quais não podemos falar. Mas o que posso dizer é que ele é o único árbitro, o único oficial não iraniano, que foi impedido de entrar no país para este torneio. Ele estava conversando com algumas pessoas ruins, muito recentemente, sobre ações aqui nos Estados Unidos.”
Apesar da gravidade da acusação, o representante da Casa Branca não apresentou provas públicas nem detalhou quem seriam as pessoas mencionadas ou quais ameaças teriam sido identificadas pelas autoridades americanas.
Questionado sobre uma possível relação do caso com atividades terroristas, Giuliani evitou responder diretamente e disse confiar nas avaliações feitas pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP). “Do meu ponto de vista, e com base nas informações que vi, apoio a decisão da CBP. Foi a decisão correta”, disse.
O dirigente também reforçou que o governo do presidente Donald Trump pretende receber normalmente atletas, dirigentes e torcedores durante a realização da Copa do Mundo, mas afirmou que questões de segurança continuarão sendo prioridade.
“O presidente Trump deixou claro que quer receber o mundo inteiro para desfrutar da Copa do Mundo. Mas não permitirá que um torneio de futebol seja usado como oportunidade para que pessoas mal-intencionadas atuem nos Estados Unidos”, completou.
Longa entrevista migratória e deportação
De acordo com relatos da imprensa internacional, Artan chegou a Miami na semana passada para cumprir compromissos relacionados ao Mundial, mas foi submetido a um extenso procedimento de imigração.
O árbitro teria permanecido aproximadamente 11 horas em entrevistas com agentes migratórios. Após esse período, ficou sob custódia por mais algumas horas antes de ser colocado em um voo com destino a Istambul, na Turquia, de onde seguiu viagem de retorno.
FIFA não conseguiu reverter decisão
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) confirmou que tentou interceder no caso, mas não obteve sucesso. Como as decisões sobre entrada e permanência de estrangeiros em território americano são de competência exclusiva do governo federal, a entidade esportiva não possui mecanismos para anular determinações das autoridades migratórias.
A impossibilidade de reverter a medida retirou Artan da equipe de arbitragem da Copa do Mundo de 2026, encerrando o sonho de uma participação inédita para a Somália no quadro de árbitros do principal torneio do futebol mundial.
Reação na Somália
A exclusão do árbitro provocou forte repercussão em seu país de origem. Mesmo sem participar da competição, Artan foi recebido na Somália por dirigentes esportivos, autoridades e torcedores como um símbolo de orgulho nacional.
Sua convocação para o Mundial já era considerada um marco histórico para o futebol somali, e o episódio ampliou o debate internacional sobre os critérios adotados pelas autoridades americanas para a entrada de profissionais credenciados para grandes eventos esportivos realizados no país.



