Copa do Mundo: futebol ganha espaço, mas interesse segue limitado entre estadunidenses
Imigrantes concentram boa parte da expectativa pelo torneio, segundo dados do Pew Research Center
247 - A Copa do Mundo de 2026 marcará o retorno dos Estados Unidos como principal sede do torneio após mais de três décadas. Embora o país receba a maior parte dos jogos da competição, pesquisas indicam que o interesse pelo evento permanece limitado entre grande parte da população local. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
Segundo dados do Pew Research Center, 66% dos adultos nos EUA afirmam ser pouco ou nada propensos a acompanhar o Mundial. Apenas 28% disseram que pretendem seguir a competição de alguma forma.
Paixão impulsionada por comunidades imigrantes
O cenário muda significativamente quando se observa a população imigrante. Entre estrangeiros residentes no país, 54% demonstram intenção de acompanhar a Copa. Entre os cidadãos nascidos nos Estados Unidos, o índice cai para 23%.
Os números ajudam a explicar uma característica da Copa de 2026: boa parte do entusiasmo pelo torneio parte das comunidades de imigrantes que vivem no país. O engenheiro estrutural Eric Zuidema, brasileiro que mora nos Estados Unidos desde a infância, atribui o menor engajamento ao amplo leque de modalidades esportivas disponíveis no país.
"Nos Estados Unidos você tem futebol americano, basquete, beisebol e várias outras opções. No Brasil, praticamente tudo gira em torno do futebol. Isso acaba reduzindo um pouco o nível de fanatismo que a gente vê", afirmou.
Apesar disso, ele observa uma evolução gradual do interesse pelo esporte nas últimas décadas. "Sempre acompanhei futebol e vejo meus amigos americanos prestando cada vez mais atenção ao esporte."
Segurança e desafios às vésperas do torneio
O governo do presidente Donald Trump sustenta que a procura internacional pela Copa permanece elevada. Andrew Giuliani, diretor da força-tarefa da Casa Branca para o torneio, informou que a FIFA já superou a marca de 6 milhões de ingressos comercializados. "Queremos que as pessoas venham para os Estados Unidos e aproveitem esta Copa do Mundo, ao mesmo tempo em que garantimos que o país permaneça seguro", declarou.
Segundo Giuliani, a edição de 2026 será a primeira realizada nos Estados Unidos sob toda a estrutura de segurança desenvolvida após os atentados de 11 de Setembro. Os estádios contarão com múltiplos perímetros de controle, verificações sucessivas de ingressos e restrições ao uso de drones nas proximidades.
Futebol amplia espaço no país
Desde a Copa de 1994, o futebol ampliou sua presença no cenário esportivo estadunidense. A expansão da modalidade e a chegada de atletas de projeção internacional à liga local são apontadas por Giuliani como fatores desse crescimento.
O engenheiro de software Kevin Matthews relata que passou a acompanhar o esporte apenas durante a pandemia. "Nem sempre gostei de futebol. Durante a pandemia comecei a acompanhar mais e hoje sigo o esporte de perto", disse. Ele também relaciona o aumento do interesse às campanhas mais competitivas da seleção dos Estados Unidos em edições recentes da Copa do Mundo.
Imagem internacional em debate
Para Jonathan Hanson, cientista político e professor da Universidade de Michigan, o torneio acontece em um contexto delicado para a imagem internacional dos Estados Unidos. "As questões migratórias ainda estão presentes e estão criando uma mancha para os Estados Unidos como país anfitrião deste grande evento", afirmou.
O pesquisador também observou que o ambiente atual difere daquele registrado em 1994. "Havia um sentimento de entusiasmo em relação àquilo. Notavelmente, não existia todo esse drama político", recordou.



