França lidera projeção do Goldman Sachs para vencer a Copa
Banco vê seleção francesa à frente de Argentina e Espanha, enquanto Brasil aparece com 8,9% de chance e caminho até a semifinal
247 - A França passou a liderar as projeções para vencer a Copa do Mundo de 2026, segundo atualização do modelo do Goldman Sachs após o fim da primeira fase. A seleção de Kylian Mbappé aparece agora à frente de Argentina e Espanha, enquanto o Brasil surge na quarta posição entre os favoritos e é projetado pelo banco até a semifinal.
De acordo com o levantamento, a França tem 22,4% de probabilidade de conquistar o título. A Argentina aparece logo atrás, com 21,6%, seguida pela Espanha, com 20,9%. O Brasil tem 8,9% de chance, à frente de Inglaterra, com 5,3%, e Holanda, com 4,9%.
A mudança representa uma revisão importante em relação às projeções feitas antes do início do torneio, quando o Goldman Sachs apontava a Espanha como principal candidata ao título, em uma possível final contra a Argentina. No novo cenário, o confronto mais provável na decisão seria entre França e Argentina, com leve vantagem para os franceses.
O modelo também projeta semifinais de alto peso técnico. A França eliminaria a Espanha, enquanto a Argentina superaria o Brasil. Assim, a seleção brasileira aparece longe do grupo de maior favoritismo, mas ainda entre as quatro equipes com melhor desempenho esperado no Mundial.
O primeiro desafio do Brasil no mata-mata será contra o Japão, na segunda-feira (29). Para a partida, o Goldman Sachs calcula 76% de chance de vitória da equipe comandada por Carlo Ancelotti. A seleção brasileira chega ao confronto após uma fase de grupos de recuperação: empatou com Marrocos por 1 a 1 na estreia e depois venceu Haiti e Escócia por 3 a 0, com destaque para Vini Jr.
O favoritismo, porém, não elimina o risco do confronto. O Japão tem histórico recente de resultados expressivos contra seleções de ponta. Na Copa de 2022, venceu Espanha e Alemanha. Também derrotou o Brasil em outubro de 2025 e superou a Inglaterra neste ano. No Mundial de 2026, terminou a fase de grupos em segundo lugar, atrás da Holanda, com quem empatou por 2 a 2 em uma das melhores partidas da competição.
Há ainda divergência entre modelos estatísticos. O economista alemão Joachim Klement, que acertou os campeões das últimas três Copas, projeta vitória japonesa sobre o Brasil. Já o Goldman Sachs vê a seleção brasileira avançando no torneio: venceria o Japão, passaria pela Noruega nas oitavas de final e eliminaria a Inglaterra nas quartas, antes de perder para a Argentina na semifinal.
O relatório do banco também avalia outros confrontos do mata-mata. Para África do Sul x Canadá, marcado para domingo (28), a probabilidade estimada é de 70% de vitória canadense.
O Goldman Sachs ressalta que as chances de classificação tendem a cair conforme o torneio avança, sobretudo para equipes que enfrentam caminhos mais difíceis nas fases iniciais. Essa lógica aparece na comparação entre Brasil e Inglaterra, potenciais adversários nas quartas de final.
“À medida que se avança no torneio, as probabilidades de classificação vão diminuindo, especialmente para as seleções que enfrentam rodadas iniciais difíceis”, afirmam os economistas do Goldman Sachs.
O banco observa que, embora Brasil x Inglaterra seja projetado como um duelo equilibrado em campo, a seleção brasileira tem hoje maior probabilidade de chegar às quartas porque seu caminho até essa fase é considerado menos complexo.
“Embora um confronto direto entre Inglaterra e Brasil deva ser uma partida muito acirrada, a probabilidade do Brasil se classificar nas quartas de final é, neste momento, muito maior do que a da Inglaterra, porque o caminho da Inglaterra até lá é mais difícil, tornando menos provável que os Três Leões cheguem a essa partida”, diz o relatório.
Pelas estimativas, o Brasil tem 37% de chance de vencer as quartas de final, enquanto a Inglaterra aparece com 27%. As demais seleções da mesma chave somam 35%.
O modelo utiliza dados históricos de desempenho das seleções, com peso relevante para o sistema Elo, indicador originalmente criado para ranquear jogadores de xadrez e posteriormente adaptado ao futebol. No caso das seleções nacionais, o índice varia conforme os resultados obtidos e a força dos adversários enfrentados.
Para a primeira rodada eliminatória, como os confrontos já estão definidos, o banco calcula médias de gols esperados sem arredondamento. As disputas por pênaltis não são modeladas separadamente. O relatório assume que o número previsto de gols é um indicador da probabilidade de classificação, mesmo em cenários de empate após a prorrogação.
A partir das oitavas de final, o Goldman Sachs recorre a 100 mil simulações de Monte Carlo, técnica estatística que usa aleatoriedade para estimar diferentes desfechos. O método permite projetar não apenas o vencedor de cada partida, mas também os confrontos mais prováveis nas fases seguintes.
“Para cada partida, apresentamos os dois confrontos mais prováveis de acordo com nosso modelo. Esses confrontos dependem das probabilidades, calculadas pelo modelo, de classificação de cada seleção na fase anterior”, explicam os economistas do Goldman Sachs.
O relatório cita como exemplo um possível duelo entre Alemanha e França. “Por exemplo, atribuímos uma probabilidade de 77,4% de a Alemanha se classificar nas oitavas de final contra o Paraguai e uma probabilidade de 92,5% para uma vitória da França contra a Suécia. Como resultado, atribuímos uma probabilidade de 71,6% para um confronto entre Alemanha e França nas oitavas de final. Outros confrontos, é claro, continuam sendo possíveis.”
Com a atualização, França, Argentina e Espanha aparecem praticamente agrupadas no topo das projeções. O Brasil, embora abaixo do bloco de favoritos, entra no mata-mata com caminho estatisticamente favorável até as semifinais, mas com um primeiro obstáculo considerado perigoso diante do Japão.



