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Irã deixa a Copa e critica postura "injusta e antidesportiva" dos EUA

Eliminação iraniana na Copa de 2026 expõe tensões diplomáticas, restrições de visto e críticas ao tratamento imposto pelos Estados Unidos

Jogadores do Irã posam para uma foto em grupo antes da partida Bélgica x Irã no Los Angeles Stadium, Inglewood, Califórnia, EUA - 21 de junho de 2026 (Foto: Matthew Childs)
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247 - A eliminação do Irã na Copa do Mundo de 2026, confirmada no sábado (27), encerrou uma campanha marcada não apenas pelo desempenho em campo, mas também por uma crise diplomática envolvendo os Estados Unidos, um dos países-sede do torneio. A seleção iraniana deixou a competição após uma sequência de obstáculos logísticos, restrições de visto, longos deslocamentos e manifestações públicas contra o tratamento recebido durante o Mundial.

A Federação de Futebol do Irã divulgou um novo comunicado no início da madrugada de domingo (28), depois que o resultado entre Argélia e Áustria confirmou a queda da equipe ainda na fase de grupos. No texto, a entidade classificou a conduta dos Estados Unidos como “injusta e antidesportiva” e voltou a afirmar que a delegação iraniana enfrentou dificuldades deliberadas durante sua participação na Copa.

A passagem do Irã pelo Mundial ocorreu em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada em fevereiro. O conflito teve impacto direto na presença da seleção no torneio. 15 integrantes da delegação iraniana tiveram vistos negados pelas autoridades norte-americanas. Os jogadores receberam autorização para entrar no país, mas os documentos só foram liberados dez dias antes da estreia.

A preparação da equipe também precisou ser reorganizada. Inicialmente, a base iraniana seria em Tucson, no Arizona, mas o plano foi abandonado diante das restrições impostas. A seleção passou a se concentrar em Tijuana, no México, e só podia entrar em território norte-americano na véspera das partidas. Após os jogos, a delegação tinha de retornar imediatamente à cidade mexicana.

Apenas no início da última semana, o governo dos Estados Unidos flexibilizou parcialmente as regras e permitiu que o Irã entrasse no país dois dias antes do confronto contra o Egito, disputado em Seattle na sexta-feira (26). A partida terminou empatada em 1 a 1, resultado que deixou a seleção iraniana em situação delicada no grupo e culminou na eliminação após a definição dos demais resultados.

Depois do empate com o Egito, o capitão Mehdi Taremi criticou abertamente as condições enfrentadas pela equipe. Ele afirmou que os jogadores tinham a sensação de “que querem o Irã eliminado”. O atacante também descreveu a organização da Copa do Mundo na América do Norte como um desastre para a delegação iraniana e reclamou da rotina de viagens imposta ao elenco: “Agora temos que viajar novamente para Tijuana, sem nos recuperarmos, sem nada”.

A Federação de Futebol do Irã também fez questão de agradecer ao México pelo acolhimento dado à seleção durante o torneio. Em comunicado citado pelo New York Times, a entidade afirmou: “Seremos sempre gratos ao grande e generoso povo do México, assim como ao governo do México, por sua hospitalidade e respeito”.

As críticas não partiram apenas da direção nacional da federação. Presidentes de federações estaduais de futebol do Irã assinaram uma nota conjunta acusando o país anfitrião: “deliberadamente impôs obstáculos” à presença da seleção no Mundial. A avaliação reforçou o tom político que acompanhou a campanha iraniana desde os primeiros dias da competição.

Ao longo da Copa, os jogadores também deixaram mensagens escritas nos vestiários após partidas disputadas em cidades norte-americanas. Em Los Angeles, depois do empate sem gols contra a Bélgica, a seleção agradeceu a hospitalidade local e mencionou um ataque contra uma escola em Minab, ocorrido no primeiro dia da guerra com os Estados Unidos, no qual morreram 168 meninas.

Em Seattle, após o empate com o Egito, os iranianos voltaram a registrar agradecimentos à cidade, mas também expressaram a frustração com o resultado que levaria à eliminação na madrugada seguinte. “Talvez uma equipe possa avançar de um grupo, mas apenas através da justiça e da honra é possível se manter de pé diante da história”, dizia a mensagem manuscrita divulgada pela federação iraniana.

O texto deixado pela seleção no vestiário ainda retomou o conceito de espírito esportivo, em meio às acusações contra a organização e às restrições enfrentadas pela equipe. “Fair play não é apenas uma linha nas regras do futebol, é a alma do jogo”, afirmava a mensagem.

Com a queda ainda na fase de grupos, o Irã se despediu da Copa de 2026 em meio a um cenário raro no futebol internacional: uma eliminação esportiva atravessada por guerra, restrições diplomáticas e acusações formais contra um dos países responsáveis por receber o torneio.

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