‘Futebol e política se comunicam. Ver a defesa da democracia e dos mais pobres no mundo é motivo de orgulho’, diz Randolfe
Líder do governo endossou uma fala do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, primeiro muçulmano a governar a cidade. Vídeo
247 - O líder do governo federal no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), endossou neste domingo (14) uma fala de Zohran Mamdani. O primeiro muçulmano a assumir a Prefeitura de Nova York mencionou Sócrates e a Democracia Corinthiana em um discurso sobre a Copa do Mundo.
“Futebol e política também se comunicam”, escreveu Randolfe na rede social X. “Ver a defesa da democracia e dos mais pobres ecoando mundo afora, inspirada em um dos maiores legados do nosso futebol, é motivo de orgulho”, acrescentou.
A Copa do Mundo ocorre em três países na edição deste ano - Estados Unidos, Canadá e México. São 48 seleções divididas em 12 grupos de quatro equipes cada. O Brasil faz parte do grupo C - junto com Marrocos, Escócia e Haiti.
Democracia Corinthiana: história
Wladimir, Sócrates e Casagrande ocupam um lugar central entre os grandes ídolos da história do Corinthians. A importância deles, no entanto, ultrapassa o desempenho esportivo. Nos anos 1980, o elenco alvinegro liderou a Democracia Corinthiana, movimento que marcou o futebol e se conectou diretamente ao processo de redemocratização do Brasil.
Desde 1964, o país vivia sob uma ditadura. Em 1982, Waldemar Pires assumiu a presidência do Corinthians e ampliou o diálogo com os jogadores do time profissional. Nesse ambiente, nomes como Wladimir, Sócrates e Casagrande, atletas com forte consciência política, passaram a exercer papel de liderança dentro do grupo.
A Democracia Corinthiana entrou para a história do futebol brasileiro porque deu aos jogadores participação direta em decisões internas do clube. Por meio de votação, o elenco podia definir temas como horários de treino e regras de concentração, assuntos que normalmente ficavam sob controle da diretoria e da comissão técnica.
O alcance do movimento, contudo, foi muito além dos gramados. Em um período de mobilização nacional pela volta da democracia, o Corinthians levou mensagens políticas às camisas, como "Diretas Já", reforçando sua ligação com os movimentos sociais que defendiam eleições diretas no país.

Zohran Mamdani
Zohran Kwame Mamdani chegou ao posto de prefeito eleito de Nova York após construir uma trajetória marcada por migração, formação intelectual e atuação política progressista.
Mamdani nasceu em Kampala, em Uganda, em 18 de outubro de 1991, e se consolidou como uma das principais vozes da esquerda urbana norte-americana ao representar o distrito 36 na Assembleia Estadual de Nova York.
A campanha de Mamdani à prefeitura teve como eixo uma plataforma voltada à redução do custo de vida, ao fortalecimento de direitos sociais e à ampliação do acesso a serviços públicos. Ele se apresenta como “socialista democrático” e defende mudanças estruturais na forma como a cidade funciona.
Durante a disputa, Mamdani resumiu sua proposta em uma mensagem direta aos moradores de Nova York.
“Lutaremos por uma cidade que funcione para vocês, que seja acessível para vocês, que seja segura para vocês”, afirmou.
Origens e formação
Filho do acadêmico indiano-ugandês Mahmood Mamdani e da cineasta indo-americana Mira Nair, Zohran cresceu em um ambiente marcado por debate político, produção cultural e reflexão social. Seu nome do meio, “Kwame”, homenageia Kwame Nkrumah, ex-presidente de Gana.
Antes de se estabelecer nos Estados Unidos, Mamdani viveu em Uganda e na África do Sul. A família se mudou para Nova York quando ele tinha cerca de sete anos.
Na cidade, estudou na The Bronx High School of Science, uma das escolas mais prestigiadas de Nova York. Depois, concluiu a graduação em Africana Studies no Bowdoin College, no estado do Maine, em 2014.
Antes de ocupar cargo eletivo, Mamdani trabalhou como conselheiro de prevenção de execuções hipotecárias no Queens. Nessa função, atendeu famílias de baixa renda ameaçadas de perder suas casas. Ele aponta essa experiência como um dos fatores que o levaram ao serviço público.
Ascensão política em Nova York
Mamdani foi eleito em 2020 para a Assembleia do Estado de Nova York, pelo distrito 36, que inclui Astoria, no Queens. No Legislativo estadual, passou a ganhar projeção como representante de uma nova geração progressista.
Em 2024, lançou candidatura à prefeitura para as eleições de 2025. A plataforma reuniu propostas como transporte gratuito, controle de aluguel, aumento de impostos para os mais ricos e fortalecimento das políticas sociais.
A campanha também buscou associar sua biografia a uma agenda de transformação urbana. Mamdani apresentou sua trajetória pessoal, da infância entre África e EUA à atuação em comunidades do Queens, como parte de uma identidade política voltada à mudança. Seu discurso combinou defesa de serviços públicos, crítica às desigualdades e compromisso com uma cidade mais acessível.



