Há 48 anos, a Argentina vencia a Holanda e erguia sua primeira Copa
Kempes brilhou no Monumental, marcou duas vezes na final de 1978 e conduziu a seleção argentina ao seu primeiro título mundial
247 - A primeira estrela da Argentina nasceu em 25 de junho de 1978, no Estádio Monumental de Buenos Aires, em uma final carregada de drama, tensão e simbolismo. Diante da Holanda, a seleção comandada por César Luis Menotti venceu por 3 a 1 na prorrogação, conquistou sua primeira Copa do Mundo e consagrou Mario Kempes como o grande nome daquele Mundial.
Com seis gols no torneio, Kempes chegou à decisão como protagonista da equipe argentina. Foi dele o gol que abriu o placar no primeiro tempo e também o lance que recolocou a Argentina à frente na prorrogação, depois do empate holandês marcado por Nanninga perto do fim do tempo normal.
Antes do tempo extra, a Holanda ainda esteve muito perto de mudar a história. Nos minutos finais, a seleção europeia acertou a trave e silenciou por instantes o Monumental, que vivia uma tarde de festa e apreensão. A bola não entrou. Na prorrogação, a Argentina reagiu com força, Kempes voltou a marcar e Bertoni fechou o placar.
A derrota manteve a Holanda distante do título mundial pela segunda Copa consecutiva. Vice em 1974, a equipe voltou à decisão em 1978 sem Johan Cruyff, que optou por não disputar o torneio.
A conquista argentina, porém, ultrapassa o campo esportivo. A Copa de 1978 foi disputada durante a ditadura militar instaurada no país em 1976, período de repressão que fez do Mundial uma vitrine política para o regime. A campanha também ficou marcada pela goleada por 6 a 0 sobre o Peru, resultado que garantiu a presença da Argentina na final e segue cercado de questionamentos históricos.
O título abriu uma nova era para o futebol argentino, que voltaria a conquistar o mundo em 1986 e 2022. Kempes entrou para a memória nacional como herói da primeira taça, enquanto o Monumental se consolidou como palco de uma das cenas mais emblemáticas das Copas.
A chuva de papel picado que tomou as arquibancadas virou a imagem-síntese daquele Mundial. Quase meio século depois, a final de 1978 permanece lembrada como uma vitória decisiva para a história esportiva da Argentina e como um episódio inseparável do contexto político que marcou o país naquele período.



