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IG4 realiza oferta por créditos detidos da Raízen

Gestora busca comprar parte decisiva dos créditos que serão convertidos em ações da companhia

IG4 realiza oferta por créditos detidos da Raízen (Foto: Divulgação)
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247 - A gestora IG4 apresentou uma oferta não vinculante para adquirir créditos da Raízen e tentar assumir uma posição decisiva na reestruturação financeira da companhia, que envolve dívidas de R$ 64,7 bilhões. O movimento ocorre após a empresa obter a adesão de 80,1% dos credores ao plano de recuperação extrajudicial, comunicado na sexta-feira (12). As informações são do jornal Valor Econômico.

A intenção da IG4 é comprar 50% mais um dos créditos que serão convertidos em ações, o que poderia colocá-la no controle da Raízen depois da reestruturação. A proposta mira principalmente credores detentores de títulos de dívida emitidos no exterior, debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

A operação, porém, depende de uma articulação complexa. A base de credores da Raízen é pulverizada e está distribuída em diferentes perfis de investidores e regiões. De acordo com fontes do mercado financeiro ouvidas pela publicação, a gestora precisa convencer ao menos metade mais um dos detentores dos créditos que serão transformados em participação acionária. Caso esse patamar não seja atingido, a oferta não avançará.

O plano de recuperação extrajudicial da Raízen é considerado o maior já apresentado no país nessa modalidade. Pela proposta, 45% da dívida será convertida em ações ao preço de R$ 0,25 por papel. Com isso, os credores passariam a deter mais de 80% da companhia. Os 55% restantes do passivo serão reperfilados.

A Shell, sócia da Cosan na Raízen, fará um aporte direto de R$ 3,5 bilhões na empresa. A Aguassanta, holding ligada a Rubens Ometto, controlador da Cosan, poderá aportar outros R$ 500 milhões. O desenho da reestruturação busca dar fôlego financeiro à companhia e reorganizar seu endividamento.

Interlocutores afirmam que a IG4 pretende conduzir uma reestruturação ordenada da Raízen, especialmente diante da fragmentação dos credores. A conversão de parte da dívida em ações deve ocorrer em um prazo de seis meses, período em que a gestora teria de negociar a compra dos créditos necessários para viabilizar sua estratégia.

O plano da Raízen também prevê a cisão da companhia em duas frentes de negócio: Raízen Combustíveis e Raízen Energia. Segundo fontes citadas na reportagem, a Shell teria maior interesse na área de distribuição de combustíveis, enquanto os ativos ligados a açúcar e etanol poderiam ficar no centro de uma nova reorganização societária.

A Raízen é a maior produtora de açúcar e etanol do Brasil. Nos últimos dez anos, a companhia realizou investimentos expressivos para ampliar e diversificar suas operações. No entanto, a combinação entre projetos simultâneos, aumento das taxas de juros e apostas que não entregaram o retorno esperado, como o etanol de segunda geração, pressionou o balanço da empresa.

Nos últimos meses, a companhia iniciou um processo de venda de ativos para reduzir sua alavancagem. A Raízen já se desfez de pelo menos R$ 5 bilhões em ativos e, há duas semanas, fechou acordo para vender suas operações na Argentina por US$ 1,42 bilhão a um consórcio liderado pela trading suíça Mercuria Energy Group. Segundo fontes, ainda há outros ativos no pacote de desinvestimentos.

A movimentação da IG4 na Raízen guarda semelhanças com a operação realizada na Braskem. A gestora assumiu recentemente o cocontrole da petroquímica por meio do Fundo Shine, após um acordo com bancos credores da Novonor. Esses bancos tinham como garantia dos empréstimos as ações da Braskem que pertenciam à antiga Odebrecht.

Com a transação, o Fundo Shine passou a deter 50,1% do capital votante da Braskem. Sob um novo acordo de acionistas, IG4 e Petrobras pretendem conduzir uma reestruturação financeira e operacional da petroquímica, também marcada por forte endividamento.

No caso da Braskem, fontes ouvidas pelo Valor afirmam que as sócias buscam um plano mais voltado ao alongamento de prazos do que à concessão de descontos. As conversas com credores da petroquímica já começaram e a intenção é estruturar a renegociação por meio de um processo extrajudicial.

Procurada, a IG4 não comentou a oferta pelos créditos da Raízen.

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