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Brasil e Índia podem dar salto histórico em soberania alimentar e agroecologia, diz Paulo Teixeira em Nova Déli

Ministro defende fortalecimento da agricultura familiar e cooperação entre Embrapa e Icar

Paulo Teixeira (Foto: Brasil 247)

247 – O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou neste sábado, 21, durante o Fórum Empresarial Brasil-Índia, em Nova Déli, que Brasil e Índia vivem um momento histórico para aprofundar as relações diplomáticas, comerciais e agrícolas, com foco na soberania alimentar, na inovação tecnológica e na transição agroecológica. A declaração foi feita no evento promovido pela ApexBrasil, que reuniu autoridades e empresários dos dois países.

Paulo Teixeira contextualizou o momento atual com uma referência histórica às navegações portuguesas. “Há em 1500 os portugueses tinham uma viagem pras Índias pra cá e eles perderam o caminho e encontraram o Brasil já habitado pelos indígenas. 526 anos depois nós estamos refazendo essa rota para que nós tenhamos uma grande relação da Índia com o Brasil”, afirmou.

Segundo ele, a atual aproximação pode inaugurar uma etapa mais robusta na cooperação estratégica entre as duas nações. “Nós podemos ter uma relação muito mais robusta entre a Índia e o Brasil”, disse.

O ministro relatou ainda sua participação na reunião entre o presidente Lula e o primeiro-ministro Narendra Modi. “Eu participei do encontro do presidente Lula e os ministros com o primeiro ministro Mood e seus ministros e acho que é um feito histórico para que nós possamos dar um salto nas relações de amizade, nas relações diplomáticas, nas relações comerciais entre o Brasil e a Índia”, afirmou.

Soberania alimentar como prioridade comum

Paulo Teixeira destacou que Brasil e Índia compartilham características estruturais semelhantes, sobretudo no desafio de garantir alimentação para suas populações. “Há muitas identidades na relação do Brasil com a Índia. Em primeiro lugar são dois países muito populosos e o grande desafio desses dois países é de garantir soberania alimentar para os seus povos”, declarou.

Ele lembrou que o Brasil é responsável por alimentar 213 milhões de brasileiros, enquanto a Índia responde por mais de um bilhão de habitantes. “Mas são dois países que têm uma força agrícola muito grande que não só alimenta os seus povos, mas alimentam igualmente o mundo”, afirmou.

O ministro também citou a iniciativa lançada pelo presidente Lula no âmbito do G20. “O presidente Lula lançou no G20 a aliança global de combate à fome e à pobreza e hoje o mundo está voltado também para garantir a soberania alimentar em todos os países”, disse.

Agricultura familiar e identidade tropical

Outro eixo central da fala foi o papel da agricultura familiar. “Outra identidade que nós temos além de serem países que buscam o desafio da soberania alimentar é o papel da agricultura familiar na alimentação dos nossos povos”, afirmou.

Segundo ele, a diversidade cultural brasileira se reflete diretamente na produção de alimentos. “A alimentação é cultura e nós somos um país multicultural e por isso a agricultura familiar tem um papel importantíssimo na produção de um painel diverso que garante as culturas alimentares do povo brasileiro”, declarou.

O ministro destacou ainda a convergência entre as agriculturas tropicais de Brasil e Índia. “Também temos uma outra identidade que é a identidade como agriculturas tropicais portanto há muita semelhança entre as nossas agriculturas”, disse.

Ele mencionou as raízes indianas da pecuária brasileira e a influência de frutas, legumes e especiarias indianas na formação alimentar do Brasil. “Como já foi dito aqui a pecuária brasileira ela tem muitas raízes aqui na Índia tanto a pecuária pra carne como a pecuária leiteira”, afirmou, citando produtos como banana, manga, jaca, laranja, tangerina, limão, berinjela, açafrão, canela, cardomomo, coentro, cravo e erva-doce.

Avanços em genética e programa de embriões

Paulo Teixeira ressaltou os avanços brasileiros no melhoramento genético do rebanho bovino e o papel estratégico da Embrapa nesse processo. “Nesse período, o Brasil aperfeiçoou a sua genética do gado”, afirmou.

Ele relatou diálogo com agricultores indianos sobre produtividade leiteira. “Ontem eu pude participar com os agricultores indianos que disseram: olha minha vaca tá dando 5 litros de leite mas com essa melhoria genética por meio de embriões que vem do Brasil pode dar 40 a 45 litros de leite”, declarou.

Segundo o ministro, o governo federal lançará um amplo programa de embriões voltado à agricultura familiar. “O presidente Lula vai lançar de 300.000 embriões que é a nossa meta para o ano de 2026”, afirmou.

Além da pecuária, ele destacou avanços em sementes, frutas e sistemas produtivos. “O Brasil também tem uma genética avançada de plantas assim como conhecimentos acumulados em sistemas produtivos agrícolas Temos a Embrapa que é uma empresa que está na fronteira do conhecimento agrícola”, disse.

Transição agroecológica e cooperação institucional

Paulo Teixeira defendeu a necessidade de transformar o modelo agrícola predominante. “Existe uma janela de conhecimento uma janela de oportunidade que é a possibilidade de se fazer uma mudança muito profunda de uma agricultura hoje de base química baseada na chamada Revolução Verde”, afirmou.

Segundo ele, embora esse modelo tenha contribuído para ampliar a produção de alimentos, já não responde adequadamente aos desafios ambientais e sanitários. “Por isso nessa transição é uma transição pra agroecologia”, declarou.

O ministro elogiou a experiência indiana na chamada agricultura natural. “A gente encontrou aqui na Índia uma enorme experiência de agroecologia do que se chama aqui da agricultura natural de uma agricultura que não usa insumos químicos em uma agricultura que produz produtos orgânicos e também o uso intensivo de biológicos”, afirmou.

Ele destacou a importância do intercâmbio entre o Icar, da Índia, e a Embrapa, do Brasil. “Essa troca é muito importante (…) duas instituições que serão muito importantes nessa transição e nesse intercâmbio que é o Icar da Índia e a Embrapa no Brasil pra transição agroecológica”, disse, defendendo inclusive a recepção de agricultores indianos no Brasil para experiências práticas de formação.

Desenvolvimento com dimensão ética

Durante sua fala, Paulo Teixeira mencionou o economista indiano Amartya Sen. “Um grande economista indiano Amarte Hem que escreveu o livro sobre o desenvolvimento e liberdade Ele dizia sobre os aspectos éticos da economia e do desenvolvimento a economia não é só negócio não é só ganhar dinheiro mas a economia desenvolver os povos é encontro de amizades”, afirmou.

Ao concluir, o ministro sustentou que a aproximação entre Brasil e Índia pode inaugurar um novo ciclo histórico de desenvolvimento compartilhado. “Assim 526 anos depois que os portugueses se perderam na rota das Índias esse trecho Brasil e Índia é um trecho que vai se fortalecer muito para o desenvolvimento dos nossos países”, declarou.

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