União Europeia descarta previsão para fim do veto à carne brasileira
Autoridade sanitária do bloco afirma que é impossível prever uma data para a "reabilitação" do Brasil
247 - A União Europeia afirmou que não há previsão para o fim da suspensão das importações de carne brasileira e que a retomada dos embarques dependerá da adequação do país às exigências sanitárias do bloco. Segundo autoridades europeias, a reabilitação do Brasil está vinculada à implementação de medidas de controle e ao tempo necessário para que os ciclos produtivos das cadeias afetadas comprovem conformidade com as novas regras relacionadas ao uso de antimicrobianos. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
Em reunião realizada em 28 de maio com a Associação de Avicultura, Indústria e Comércio nos Países da União Europeia (Avec), a diretora Eva Zamora Escribano, da autoridade sanitária europeia DG Sante, afirmou que "é impossível especular sobre uma possível data de reabilitação do Brasil ou de qualquer outro país, já que isso depende de uma série de fatores".
A Comissão Europeia informou que o Brasil ficará impedido de exportar carne para o bloco a partir de 3 de setembro deste ano. Segundo o órgão, a restrição permanecerá em vigor até que o país apresente garantias suficientes de adequação às exigências sanitárias europeias.
Ciclo produtivo pesa na decisão
De acordo com a Comissão Europeia, um dos elementos considerados é o ciclo de vida dos animais destinados à exportação. O objetivo é assegurar que os produtos embarcados tenham origem em animais que não receberam antimicrobianos proibidos pelas novas regras.
O bloco explicou que a comprovação dessa condição depende do tempo necessário para completar os ciclos produtivos das cadeias afetadas. No caso da pecuária bovina, o abate de animais destinados à exportação pode ocorrer a partir de 18 meses, embora existam ciclos mais longos.
Novas exigências sanitárias
Segundo a União Europeia, as novas regras integram a política de "saúde única" e de combate à resistência antimicrobiana, considerada pelo bloco uma das principais ameaças à saúde pública. As restrições já se aplicam aos produtores europeus desde 2022.
No início deste mês, o Ministério da Agricultura publicou orientações complementares sobre as exigências europeias para a cadeia da carne. O documento relaciona medicamentos de uso humano cuja utilização é vedada nos processos produtivos destinados à exportação para a Europa.
As normas também determinam que frigoríficos mantenham sistemas de rastreabilidade, registros detalhados e mecanismos para bloqueio de lotes em situações que comprometam a elegibilidade dos produtos. Em casos de não conformidade, as empresas devem comunicar imediatamente o ministério e apresentar a rastreabilidade completa dos produtos envolvidos, podendo haver comunicação às autoridades da União Europeia ou do Reino Unido.



