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Apagão atinge Cuba em meio a cenário de crise energética causada pelo bloqueio e pressão dos EUA

Interrupção deixa milhões de pessoas sem eletricidade e afeta serviços essenciais na ilha

Havana, Cuba, 4 de março de 2026. (Foto: REUTERS/Norlys Perez)

247 - Um apagão deixou grande parte de Cuba sem energia nesta quarta-feira (4), incluindo Havana, informou a empresa estatal de eletricidade. O país enfrenta um bloqueio econômico criminoso e pressões da administração do presidente estadunidense Donald Trump, que restringiu o envio de petróleo à ilha. A interrupção teria ocorrido devido a uma falha inesperada na usina termelétrica Antonio Guiteras, localizada a cerca de 100 quilômetros a leste de Havana. As informações são da agência Reuters.

A situação em Cuba se agravou após a Venezuela, principal fornecedora de combustível da ilha, ter seu abastecimento prejudicado depois do sequestro do presidente Nicolás Maduro, em janeiro. O México, fornecedor alternativo de petróleo, anunciou que suspenderia o envio de combustível após os Estados Unidos ameaçarem aplicar tarifas a países que abastecem Cuba.

O corte de energia afetou áreas que vão desde Pinar del Rio, no extremo oeste, até a província de Las Tunas, no leste do país, deixando milhões de pessoas temporariamente sem eletricidade.

Impactos em Havana e medidas de contingência

Na capital, a população está acostumada a cortes de energia periódicos, e muitos moradores receberam o apagão com relativa normalidade. Alguns semáforos e estabelecimentos funcionaram graças a painéis solares ou geradores. "O SEN (rede elétrica) ficar sem luz não deve ser considerado normal", afirmou Arian Mendoza, engenheiro de 28 anos que vive em Havana. "Eu não acho que esteja certo", completou.

A televisão estatal também foi afetada. O telejornal das 13h começou mais de meia hora após o horário habitual. O apresentador explicou que o atraso se devia ao apagão. "Não conseguimos nos comunicar, não sabemos o que está no noticiário porque não podemos ligar a TV", disse Angeli Aviles, estudante de 18 anos.

A companhia elétrica UNE informou que trabalha para restaurar os serviços. Já a usina termelétrica Felton 1, localizada na província de Holguín, permanece operando, e protocolos de recuperação foram ativados, segundo o ministério de energia de Cuba.

A falta de combustível obrigou o governo cubano a racionar serviços essenciais, como coleta de lixo e transporte público. Diante do aumento dos preços de combustível, moradores instalaram painéis solares em residências e veículos para manter a energia funcionando. 

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