Após ameaças, Trump conversa por telefone com Petro e diz que terá encontro na Casa Branca
Contato ocorreu após o presidente dos EUA ameaçar usar força militar contra o país sul-americano
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que estão sendo tomadas providências para que ele se reúna com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, na Casa Branca, em Washington, depois que os dois conversaram nesta quarta-feira (7).
Em uma postagem no Truth Social, Trump disse que Petro ligou "para explicar a situação das drogas e outros desentendimentos que tivemos".
"Foi uma grande honra conversar com o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que telefonou para explicar a situação das drogas e outras divergências que temos tido. Agradeci sua ligação e seu tom, e espero encontrá-lo em breve", escreveu o republicano. "Estão sendo feitos os preparativos entre o Secretário de Estado Marco Rubio e o Ministro das Relações Exteriores da Colômbia".
O presidente Donald Trump havia confirmado a possibilidade de uma intervenção militar na Colômbia, uma medida que "soa bem", disse ele a bordo do Air Force One, a aeronave oficial, na noite deste domingo (4).
Na última segunda (5), Petro disse que estaria disposto a “pegar em armas” diante das ameaças feitas por Trump contra seu governo. “Jurei não voltar a tocar em uma arma… mas, pela pátria, voltarei a pegar em armas”, escreveu em rede social.
Caso Venezuela e Nicolás Maduro
A ligação também ocorreu após o sequestro de Nicolás Maduro no último sábado (3). Mesmo sem provas, os EUA acusaram o venezuelano de envolvimento em narcotráfico. Ele foi levado para Nova York.
Manifestantes se juntaram em várias partes do mundo para denunciar as ilegalidades cometidas contra Maduro. Na Colômbia, a população também foi para a rua e rejeitou as ameaças feitas por Trump.
América do Sul e o cenário global
O governo Trump alegou a necessidade de combater o narcotráfico, para confirmar a hipótese de interferência. Desde setembro de 2025 foram mais de 30 ataques que resultaram em pelo menos 115 mortes nas regiões do Caribe e do Oceano Pacífico, em áreas próximas do continente sul-americano.
Conforme destacaram analistas, o verdadeiro interesse dos EUA é frear o crescimento da China em nível global. O país asiático, por exemplo, é o principal parceiro comercial do Brasil. O BRICS também discute a implementação de uma moeda comum entre os países da aliança. Caso seja implementada, a medida reduzirá a dependência do dólar nas transações internacionais.
Os países da América Latina e o BRICS têm tido uma relação cada vez mais próxima nos últimos anos. Com participação da Rússia e com ênfase na cooperação entre os países do Sul Global, o grupo forma uma frente de resistência à hegemonia dos EUA na política internacional.
Outro interesse dos EUA é no petróleo da Venezuela, que detém 303,8 bilhões de barris de petróleo, apontaram números divulgados pelo Instituto de Estatística de Energia. O número representa 17,5% da reserva comprovada de petróleo em nível internacional.



