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Arcebispo de Buenos Aires critica política econômica de Milei

Autoridade da Igreja Católica alerta para polarização, pobreza e ruptura dos laços sociais na Argentina

Presidente da Argentina, Javier Milei 21/01/2026 REUTERS/Denis Balibouse (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)
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247 - O arcebispo de Buenos Aires, Jorge García Cuerva, criticou a política econômica de Javier Milei e alertou para a polarização, a pobreza e a ruptura dos laços sociais na Argentina durante a celebração do Te Deum, realizada na Catedral Metropolitana, em Buenos Aires. As informações são da Telesur.

Na cerimônia, que contou com a presença de Milei e de integrantes de seu gabinete, García Cuerva fez um apelo à reconstrução do diálogo nacional e à superação do clima de confronto que atravessa o país. Segundo a Telesur, o líder religioso denunciou a “desintegração social” e pediu que a sociedade argentina abandone a lógica do isolamento e da hostilidade.

O arcebispo afirmou que a Argentina precisa buscar a “cura da paralisia social” e questionou o ambiente de agressividade que se espalha pelo debate público. Ele também criticou o ódio e a perseguição nas redes sociais, em um chamado direto à redução da violência digital.

García Cuerva advertiu que amplos setores da população “não conseguem mais se sustentar sozinhos” e condenou a mentalidade do “cada um por si”. Para ele, essa lógica expressa “um individualismo cruel que rompe os laços de solidariedade”.

Crítica à polarização e apelo ao diálogo

O chefe da Igreja de Buenos Aires defendeu que o país retome consensos mínimos para enfrentar a crise social. Em seu discurso, apontou o “bem comum, o diálogo, a amizade social e a esperança” como “quatro acordos fundamentais” para uma reconstrução coletiva.

Em outro trecho, pediu que a sociedade deixe de alimentar disputas permanentes: “parar de incitar a divisão e a polarização social, porque ninguém se salva sozinho”.

García Cuerva também afirmou faltar “uma classe dominante que, com a força do povo, seja incentivada a dialogar”. Ao tratar da violência nas plataformas digitais, cobrou “que o terrorismo fique restrito às redes”.

A fala teve forte tom social e foi marcada por uma defesa dos setores mais vulneráveis. O arcebispo ressaltou que “ninguém é descartável, ninguém é dispensável”, em referência à necessidade de proteger idosos, crianças, pessoas doentes e pessoas com deficiência.

Igreja cobra solidariedade em meio à crise

Durante o Te Deum, García Cuerva também defendeu aqueles que seguem trabalhando em meio à crise social argentina. Segundo ele, “as pessoas violentas de hoje não devem impedir os homens e mulheres que querem fazer algo pelo país, sem alarde, sem câmeras, por um povo que se recusa a se resignar a viver nas dificuldades”.

O arcebispo se dirigiu ainda às pessoas em situação de exclusão e pobreza, afirmando: “Nossas mãos não descansarão até que vejamos vocês reivindicando seus direitos.”

Em uma crítica ao contraste entre a crise social e determinados comportamentos de ostentação, García Cuerva condenou a “ostentação, o desperdício e a extravagância”, classificando-os como “cruéis e escandalosos” diante de um cenário de ajuste econômico e queda do poder de compra.

Tensão política no governo Milei

Após a cerimônia, Milei reuniu-se com seu gabinete no Palácio do Governo em meio a um ambiente de tensão interna. O encontro ocorreu em um momento de conflitos dentro da administração, envolvendo disputas entre o assessor Santiago Caputo e o grupo ligado aos primos Menem.

De acordo com as informações fornecidas, a facção Menem acusa Santiago Caputo de facilitar contratos e concessões estatais multimilionárias para aliados e empresários, entre eles Leonardo Scatturice. Já o círculo de Caputo atribui aos Menem supostos acordos irregulares nas províncias para obter fundos públicos e ampliar sua influência política.

O grupo ligado a Caputo também acusa os Menem de manterem vínculos com o Judiciário e de atuarem junto ao ministro da Suprema Corte Horacio Rossati e seu porta-voz, Silvio Robles, para influenciar a nomeação de juízes.

A reunião também foi interpretada como um gesto de apoio renovado de Milei e de Karina Milei a Manuel Adorni, em meio a processos judiciais por suposto enriquecimento ilícito. O objetivo do encontro seria conter o conflito interno entre apoiadores de Caputo e a ala vinculada ao presidente da Câmara dos Deputados, Martín Menem, e ao deputado Eduardo “Lule” Menem, ambos respaldados por Karina Milei.

Outro foco de tensão envolve Patricia Bullrich, que cobrou publicamente a declaração juramentada de bens de Adorni e, em seguida, apresentou a própria declaração antecipadamente, aumentando a pressão política. Mesmo não ocupando mais o cargo de ministra, Bullrich era esperada na reunião de gabinete.

A intervenção de García Cuerva no Te Deum ampliou o peso político da cerimônia ao colocar no centro do debate a crise social argentina, a polarização e os efeitos do ajuste econômico conduzido pelo governo Milei.

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