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Governo Milei afunda 25 mil pequenas e médias empresas

Associação de funcionários do Estado protesta contra fechamento de 25 mil empresas na Argentina

Javier Milei (Foto: REUTERS/Florion Goga)
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247 - A crise das pequenas e médias empresas na Argentina voltou ao centro do debate público nesta quarta-feira (20), com uma mobilização liderada pela Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) em Buenos Aires para denunciar o fechamento de 25 mil empresas durante a gestão de Javier Milei.

De acordo com a Telesur, a manifestação reúne organizações sociais, entidades sindicais, representantes do setor público, educacional, político e empresarial em meio ao agravamento da situação econômica, que tem pressionado trabalhadores argentinos para a informalidade, o trabalho autônomo e a insegurança laboral.

A ATE informou que a Argentina acumula 17 meses consecutivos de queda nos registros junto à Superintendência de Riscos Ocupacionais (SRT). Segundo o sindicato, a retração no número de empresas registradas supera o impacto observado durante a pandemia de Covid-19.

“Em termos econômicos, Milei causou mais danos do que a pandemia; ele foi mais letal do que a covis. Durante a pandemia, pouco mais de 14 mil empresas fecharam, e sob este governo, mais de 25 mil já faliram”, afirmou Rodolfo Aguiar, secretário-geral da ATE Nacional.

Os dados citados pela entidade resultam de uma comparação entre novembro de 2023 e março de 2026, com base em informações publicadas pela Superintendência de Riscos Ocupacionais. Desde o início da atual gestão, alguns setores aparecem entre os mais atingidos. Transporte e armazenagem registraram queda de 15,7% no número de empresas. Atividades imobiliárias tiveram retração de cerca de 12%, enquanto a construção civil caiu 9,6%.

Aguiar também alertou para a perda de mais de 300 mil empregos registrados nos últimos dois anos. Segundo ele, a capacidade industrial instalada caiu para menos de 50%, quadro que aprofunda a preocupação de sindicatos e entidades produtivas com os efeitos da recessão sobre o mercado de trabalho.

A deterioração da atividade econômica tem levado parte dos trabalhadores a buscar alternativas de sobrevivência fora do emprego formal. A informalidade, o trabalho por conta própria e vínculos mais precários passaram a ganhar espaço diante do fechamento de empresas e da redução de postos registrados.

Um relatório do centro de pesquisas Fundar também aponta a gravidade da crise na estrutura produtiva argentina. O estudo registra 24 quedas consecutivas, ano após ano, no número de empresas em atividade, com perda de 266 mil empregos formais. A situação afetou 23 das 24 jurisdições do país, com impacto mais forte em La Rioja, Catamarca e Chaco.

Segundo o levantamento, a tendência negativa segue em curso. Apenas no último mês analisado, 257 empresas encerraram suas atividades. No acumulado de doze meses, o país passou a contar com 13.166 empresas a menos.

Além da perda de 266 mil empregos formais, o relatório menciona crescimento de 346 postos no trabalho por conta própria e aumento de 33 mil empregos informais. O estudo associa o cenário à abertura das importações e à redução de tarifas oficiais, medidas que favoreceriam produtos estrangeiros em detrimento da produção nacional.

Entre os setores mais afetados aparecem transporte, armazenagem, atividades imobiliárias e construção civil, especialmente em razão da recessão e da desaceleração das obras públicas. O texto também cita fechamentos de fábricas e filiais de empresas como Cabot Argentina, Cocot, Dufour, Dabra, Electrolux e a rede de farmácias Farmacias del Doctor Ahorro.

A crise empresarial ocorre em paralelo à erosão do poder de compra provocada pela inflação, deixando milhares de famílias sem renda ou dependentes de ocupações mais instáveis. Para a ATE, o fechamento de pymes e a queda do emprego formal representam um sinal de deterioração profunda da economia real.

A mobilização desta quarta-feira deve culminar na assinatura de um documento conjunto por organizações sindicais, entidades públicas e educacionais, figuras políticas, setores produtivos e câmaras empresariais. O objetivo é denunciar o avanço da crise e cobrar respostas para a destruição de empresas e postos de trabalho na Argentina.

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