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Ataque dos EUA à Venezuela viola legislação estadunidense e o direito internacional, dizem analistas

Analistas associam ataque à retomada da Doutrina Monroe e a interesses estratégicos no petróleo

Ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela (Foto: Reuters)

247 - A operação militar anunciada pelos Estados Unidos contra a Venezuela provocou forte reação de especialistas em política internacional, que classificam a ofensiva como uma grave violação do direito internacional e das próprias leis norte-americanas. Analistas avaliam que a ação representa uma escalada sem precedentes e amplia as tensões geopolíticas no Hemisfério Ocidental.

A análise foi divulgada pela Sputnik Brasil, com base em entrevistas concedidas ao jornal chinês Global Times por pesquisadores especializados em relações internacionais e América Latina. Segundo os estudiosos, a ofensiva indica uma tentativa explícita de reafirmação da hegemonia de Washington na região.

Analistas veem retomada explícita da Doutrina Monroe

Lu Xiang, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que a ação militar simboliza o renascimento da Doutrina Monroe. “Trata-se de uma declaração do renascimento de uma nova Doutrina Monroe e uma afirmação da hegemonia dos EUA no Hemisfério Ocidental”, declarou ao Global Times.

O analista destacou ainda que a derrubada do governo venezuelano sempre figurou entre os objetivos estratégicos dos Estados Unidos, mas ressaltou que a captura de um chefe de Estado em exercício é extremamente incomum e pode ser considerada um ato de imprudência.

Questionamentos legais à ofensiva militar

O Global Times lembrou que a Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, publicada em dezembro de 2025, já previa a redução do foco na Europa e o redirecionamento das prioridades para o Hemisfério Ocidental. Segundo a publicação, o próprio governo norte-americano passou a chamar essa mudança de “Corolário Trump” à Doutrina Monroe.

De acordo com Lu Xiang, a operação não encontra respaldo jurídico. Para ele, a ação viola normas do direito internacional e não possui base legal dentro da legislação dos Estados Unidos.

Interesses estratégicos no centro das críticas

Outro especialista ouvido pelo jornal chinês, Jiang Shixue, professor da Universidade Fudan e estudioso da América Latina, associou a ofensiva a interesses estratégicos ligados ao petróleo venezuelano. Segundo ele, sob o argumento da chamada “guerra às drogas”, Washington recorreu ao uso da força para tentar retomar o controle de recursos energéticos vitais.

“Após a chegada de [Hugo] Chávez ao poder, ele implementou a nacionalização da indústria do petróleo, deixando apenas a Chevron como a única companhia de petróleo dos EUA a conduzir operações de extração e refino na Venezuela, uma situação que os Estados Unidos consideram prejudicial aos seus próprios interesses”, afirmou Jiang.

Escalada militar e impacto regional

No sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu país havia lançado um “ataque maciço” contra a Venezuela. O ataque resultou no sequestro e prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para os EUA.

Relatos da imprensa internacional indicaram explosões em Caracas, enquanto informações apontaram que a operação teria sido conduzida pela unidade de elite Delta Force. O jornal The New York Times, citando um alto funcionário venezuelano, informou que pelo menos 40 pessoas, entre militares e civis, morreram em decorrência da ofensiva, ampliando a repercussão internacional do episódio.

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