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Boaventura cobra mobilização do Brasil, Colômbia e México contra agressão dos EUA à Venezuela

Sociólogo português critica ofensiva norte-americana e alerta para riscos à soberania da América Latina

O sociólogo Boaventura de Sousa Santos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos manifestou forte indignação com a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela e defendeu uma reação mais firme dos principais países da América Latina diante do que classificou como uma nova tentativa de imposição de mudança de regime por Washington. Para ele, o ataque representa uma ameaça não apenas aos venezuelanos, mas à soberania de toda a região.

Em manifestação enviada ao Brasil 247 neste sábado (3), Boaventura comparou a situação atual a episódios anteriores de intervenções militares lideradas pelos Estados Unidos, lembrando que narrativas semelhantes já foram usadas no passado para justificar invasões com consequências devastadoras.

“Não tenho palavras suficientemente fortes para expressar minha revolta e minha indignação diante da nova iniciativa imperialista de mudança de regime que os Estados Unidos iniciaram nesta madrugada contra a Venezuela”, afirmou o sociólogo. Segundo ele, o mundo parece ter esquecido que, há 23 anos, uma “mentira monstruosa” foi utilizada para justificar a invasão do Iraque, quando se alegava falsamente a existência de armas de destruição em massa no país.

Boaventura sustenta que, agora, o argumento apresentado é outro, mas igualmente falso. “Hoje, a mentira é diferente, mas não menos falsa e monstruosa: a suposta luta contra o narco-terrorismo”, declarou. Para o intelectual, assim como ocorreu no Iraque, na Síria, na Líbia e no Afeganistão, o objetivo central dessas ações seria o saque das riquezas dos países atacados.

Na avaliação do sociólogo, causa especial preocupação a postura dos maiores países da América Latina. “É lamentável que os grandes países latino-americanos que ainda são governados com alguma dignidade e amor à soberania, como Brasil, Colômbia e México, não tenham se mobilizado ativamente para pôr fim a essa invasão”, criticou. Ele reconheceu que essas nações estão cercadas por governos alinhados a Washington, citando Peru, Argentina, Chile, Bolívia, Equador e El Salvador, mas argumentou que isso não justifica a falta de uma resposta mais contundente.

Boaventura alertou ainda para o efeito dominó que, segundo ele, pode resultar da atual ofensiva. “Eles devem saber que hoje é a Venezuela, amanhã serão eles”, afirmou, ao defender uma posição regional mais firme em defesa da autodeterminação dos povos.

O sociólogo também ressaltou que, independentemente das avaliações sobre o governo de Nicolás Maduro, cabe exclusivamente aos venezuelanos decidir os rumos do país. “Qualquer que seja a nossa posição sobre os problemas do governo Maduro, são os próprios venezuelanos que devem resolvê-los”, declarou.

Ao final da manifestação, Boaventura de Sousa Santos fez um alerta contundente sobre as consequências da omissão internacional diante do que considera uma agressão imperialista. “A nossa covardia vai desabar com estrondo sobre todos nós”, concluiu.

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