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União Europeia pede moderação, mas diz que Maduro não é legítimo

Bloco europeu afirma acompanhar crise na Venezuela após explosões em Caracas e ofensiva anunciada pelos EUA

Chefe de política externa da UE, Kaja Kallas 17/01/2025 (Foto: REUTERS/Johanna Geron)

247 - A União Europeia declarou neste sábado (3) que acompanha com atenção o agravamento da situação na Venezuela e fez um apelo por moderação, em meio a relatos de explosões na capital Caracas e ao anúncio de uma ofensiva militar norte-americana no país. A posição reforça a preocupação internacional com a escalada de tensões na América do Sul e com os riscos à estabilidade regional.

A manifestação foi feita pela Alta Representante da União Europeia para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, em uma publicação nas redes sociais. No comunicado, ela informou ter conversado com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e com o embaixador europeu em Caracas, além de reiterar a posição do bloco em relação ao governo venezuelano.

Na mensagem, Kallas afirmou: “Conversei com o secretário de Estado Marco Rubio e com nosso embaixador em Caracas. A União Europeia está monitorando de perto a situação na Venezuela. A UE tem afirmado repetidamente que o senhor Maduro não possui legitimidade e tem defendido uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta da ONU devem ser respeitados. Fazemos um apelo à contenção. A segurança dos cidadãos da União Europeia no país é nossa principal prioridade".

A declaração ocorre após uma madrugada de tensão em Caracas, quando ao menos sete explosões e o som de aeronaves voando em baixa altitude foram ouvidos por volta das 2h da manhã, no horário local. Moradores de diferentes bairros relataram susto e confusão, com pessoas saindo às ruas para tentar entender a origem dos estrondos e da intensa movimentação aérea, o que evidenciou o clima de apreensão na capital venezuelana.

O episódio ganhou repercussão internacional depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma publicação em rede social que forças norte-americanas teriam realizado uma ofensiva de grande escala na Venezuela e sequestrado o presidente Nicolás Maduro. A declaração provocou reações imediatas e ampliou a atenção de governos e organismos multilaterais sobre o caso.

O contexto envolve o aumento das operações militares dos Estados Unidos na região. Nos últimos dias, as Forças Armadas norte-americanas têm direcionado ações contra embarcações apontadas como supostamente envolvidas com o tráfico de drogas, em uma ofensiva descrita como parte de uma estratégia mais ampla de pressão sobre o governo venezuelano.

Na sexta-feira (2), a Venezuela afirmou estar aberta a negociar um acordo com os Estados Unidos para o combate ao tráfico de drogas, sinalizando disposição para um entendimento formal na área de segurança. Apesar disso, o ambiente político permanece marcado por acusações, desconfiança e pelo impacto das movimentações militares recentes, que mantêm o país e a região em estado de alerta.

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