Bombardeio na fronteira deixa 27 mortos, diz Petro
Presidente colombiano questiona autoria do ataque e critica ofensiva fronteiriça do Equador com apoio dos EUA
247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que um bombardeio na região de fronteira com o Equador resultou em 27 corpos carbonizados, levantando dúvidas sobre a autoria da ação. Segundo ele, o ataque não teria sido realizado nem por grupos armados ilegais nem pelas forças oficiais colombianas.
Em publicação nas redes sociais, segundo o G1, Petro declarou que “os bombardeios na fronteira entre Colômbia e Equador não parecem ser nem de grupos armados [ilegais], que não têm aviões, nem das forças públicas da Colômbia. Eu não dei essa ordem. Há 27 corpos carbonizados e a explicação apresentada não é crível”.
Comunidades atingidas e dúvidas sobre o ataque
De acordo com o presidente colombiano, as bombas caíram nas proximidades de residências de famílias que abandonaram o cultivo de folha de coca e passaram a investir em atividades legais, como a produção de café e cacau. Petro chegou a divulgar imagens de chocolates produzidos por essas comunidades, como exemplo da transição econômica.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a data do bombardeio nem sobre a identidade das vítimas encontradas carbonizadas, o que aumenta a incerteza em torno do caso.
Nesta segunda-feira (16), Petro já havia acusado o Equador de atacar o território colobiano e ressaltado que não pretende "entrar em uma guerra" com o país vizinho. Petro também destacou que solicitou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que adotasse alguma medida em relação ao incidente e ligasse para o presidente equatoriano, Daniel Noboa.
Equador defende ofensiva contra narcotráfico
O presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou que o país intensificou ações militares contra o narcoterrorismo e indicou que as operações contam com apoio internacional. Em uma postagem no X, antigo Twitter, Noboa disse que “hoje, com apoio da cooperação internacional, seguimos nessa luta, bombardeando locais que serviam de esconderijo para esses grupos, em grande parte colombianos, que o próprio governo deles permitiu que se infiltrassem no Equador por descuido na fronteira”.
Noboa afirmou ainda que não pretende recuar nas medidas, classificadas por ele como parte de um processo de “limpeza e reconstrução do país”.
Escalada militar e crise diplomática
A ofensiva equatoriana começou no domingo (15) e prevê duas semanas de operações com apoio dos Estados Unidos. Cerca de 75 mil militares foram mobilizados, além da imposição de toque de recolher em algumas regiões.
O Equador integra o “Escudo das Américas”, uma aliança de 17 países voltada ao combate a ameaças à segurança no continente, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Colômbia não faz parte da iniciativa. As relações entre Petro e Trump vinham sendo marcadas por tensões, com trocas públicas de críticas, até uma trégua estabelecida após reunião na Casa Branca em fevereiro.
Disputa comercial agrava cenário
Além da crise de segurança, Colômbia e Equador enfrentam um impasse comercial desde fevereiro. O governo equatoriano impôs tarifas ao país vizinho, alegando falta de cooperação no combate ao narcotráfico na fronteira. Bogotá respondeu com medidas semelhantes e, apesar de tentativas diplomáticas, a crise bilateral permanece sem solução, ampliando o clima de instabilidade entre os dois países.


