Petro denuncia agressão militar à Colômbia a partir do Equador
Presidente colombiano afirma que uma bomba foi lançada na fronteira e cobra respeito à soberania nacional em meio à escalada da crise com Daniel Noboa
247 – O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou o que classificou como uma agressão militar contra seu país a partir do Equador, após o aparecimento de uma bomba supostamente lançada de um avião em área próxima à fronteira entre as duas nações. A declaração foi feita durante um conselho de ministros, em meio ao agravamento das tensões diplomáticas, comerciais e de segurança entre Bogotá e Quito. As informações foram publicadas originalmente pela agência EFE.
Segundo Petro, o artefato foi encontrado em uma região fronteiriça, o que reforçaria a suspeita de ações ofensivas vindas do território equatoriano. Ao relatar o episódio, o presidente afirmou: “Apareceu uma bomba lançada de um avião. Vamos investigar bem os modos, muito na fronteira com o Equador, ratificando um pouco minha suspeita, mas é preciso investigar bem, que estão nos bombardeando a partir do Equador e não são os grupos armados”.
A declaração eleva o nível da crise entre os dois países e sinaliza um endurecimento da posição colombiana diante do governo do presidente equatoriano, Daniel Noboa. Ainda que tenha destacado a necessidade de investigação aprofundada, Petro indicou que há elementos suficientes para preocupação imediata.
Bomba ativa e risco imediato
O presidente colombiano alertou que o explosivo encontrado permanece ativo, o que representa risco direto à população e às autoridades locais. Ele enfatizou a necessidade de resposta rápida diante da gravidade da situação.
“A soberania nacional se respeita (…) A bomba está ativa, então é perigosa e temos que tomar as decisões do caso”, declarou.
Petro também afirmou que não se trata de um episódio isolado. Segundo ele, “já são muitas explosões”, indicando a ocorrência de outros incidentes semelhantes. O mandatário disse ainda que pretende divulgar em breve “uma gravação” enviada ao seu governo a partir do Equador, relacionada ao caso.
Escalada da crise entre Colômbia e Equador
A denúncia ocorre em meio a uma crescente deterioração das relações bilaterais. A crise teve início em janeiro, quando o presidente equatoriano Daniel Noboa anunciou a imposição de uma “taxa de segurança” de 30% sobre importações colombianas, alegando falhas no combate ao narcotráfico na fronteira por parte da Colômbia.
Em resposta, Bogotá aplicou tarifas sobre 73 produtos equatorianos e interrompeu o fornecimento de energia elétrica ao país vizinho. Quito reagiu elevando as tarifas cobradas pelo transporte de petróleo colombiano por um de seus principais oleodutos e, a partir de 1º de março, aumentou o gravame para 50%.
Esse cenário de retaliações sucessivas agravou o ambiente político entre os dois governos, criando um contexto de forte tensão regional.
Apelo aos Estados Unidos e risco de conflito
Petro revelou ainda que tratou do tema diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma ligação telefônica realizada na semana anterior. Segundo ele, a intenção é evitar uma escalada militar na região.
O presidente colombiano afirmou: “Que atue e chame o presidente do Equador porque nós não queremos ir a uma guerra”.
A declaração evidencia a gravidade do momento e a tentativa de Bogotá de buscar mediação internacional para conter o avanço da crise.
Presença dos Estados Unidos no Equador amplia tensão
O contexto regional também foi impactado por recentes movimentos de cooperação entre Equador e Estados Unidos. Na semana passada, os dois países formalizaram a abertura do primeiro escritório do FBI em território equatoriano, com o objetivo de reforçar o combate ao crime organizado internacional.
Além disso, foi criada uma nova unidade policial conjunta para ampliar a capacidade de ambos os países de “identificar, desmantelar e levar à Justiça aqueles que traficam drogas, lavam dinheiro, contrabandeiam armas e financiam o terrorismo”, segundo informações divulgadas pela embaixada norte-americana no Equador.
O acordo se soma a operações militares conjuntas iniciadas no início do mês, nas quais forças equatorianas e norte-americanas bombardearam e destruíram um campo de treinamento dos Comandos da Fronteira, uma dissidência da antiga guerrilha das FARC.
Esse conjunto de fatores amplia a complexidade da crise e reforça o risco de um conflito mais amplo na região, em um momento de crescente instabilidade nas relações entre Colômbia e Equador.


