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Equador declara guerra ao narcotráfico com toque de recolher e apoio dos EUA

Equador integra coalizão antidrogas de Trump enquanto líderes progressistas da América Latina denunciam violação de soberania nacional

Equador em dias de violência (Foto: Prensa Latina )

247 - O Equador entrou em estado de ofensiva total contra o narcotráfico. O governo do presidente Daniel Noboa lançou um plano de duas semanas de operações militares e policiais contra organizações criminosas que dominam parte do território equatoriano, com respaldo direto dos Estados Unidos. A informação foi publicada pela agência AFP.

O ministro do Interior equatoriano, John Reimberg, adiantou que as forças de segurança do país executarão uma "ofensiva muito forte" até a manhã do dia 31 de março, contando com "assessoria" americana. Em pronunciamento à população, o ministro foi direto: "Estamos em guerra. Não se arrisquem, não saiam, fiquem em casa, deixem que a força pública, com os aliados, faça o trabalho que tem de ser feito."

Para conter a circulação de pessoas nas áreas mais vulneráveis, o governo equatoriano decretou toque de recolher nas províncias costeiras de Guayas, Los Ríos, Santo Domingo de los Tsáchilas e El Oro. Das 23h às 5h, os moradores dessas regiões estão proibidos de sair de casa. Ficam isentos da restrição apenas passageiros com bilhete aéreo em mãos, profissionais de saúde e trabalhadores dos serviços de emergência.

A urgência das medidas encontra respaldo nos números. De acordo com o Observatório do Crime Organizado, o Equador registra 52 homicídios para cada 100 mil habitantes — um índice que coloca o país entre os mais violentos do continente e que reflete o avanço dos cartéis sobre o território nacional nos últimos anos.

Intervencionismo dos EUA

A operação equatoriana se insere em um contexto geopolítico mais amplo. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação da "Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis", batizada de "Escudo das Américas", e formalizada no início do mês em Miami.

O Equador integra a aliança, que reúne 17 países da região comprometidos com o combate ao narcotráfico sob coordenação americana. Ficaram de fora da coalizão Brasil, México e Colômbia — governados, respectivamente, por Luiz Inácio Lula da Silva, Claudia Sheinbaum e Gustavo Petro, todos do campo progressista latino-americano. Em todo o continente, líderes progressistas denunciam tentativa de violação da soberania de países da região.

Desde setembro do ano passado, Washington conduz mobilizações militares sob a justificativa de combater o tráfico de drogas. O saldo dessas operações inclui mais de 150 mortes provocadas por ataques de forças americanas contra embarcações em águas próximas ao continente sul-americano e ao Caribe — um dado que alimenta o debate sobre os limites e os custos humanos da interferência estrangeira na região.

Para analistas, a atuação dos EUA na América Latina vai além da retórica antidrogas. A estratégia de Trump visa, em última análise, conter a influência crescente de China e Rússia no hemisfério. O padrão se repete em diferentes frentes: nesta segunda-feira, Trump declarou abertamente que pretende assumir o controle de Cuba, afirmando ter plena liberdade para decidir o destino da ilha caribenha.

Na Venezuela, o roteiro também é revelador. Washington capturou Nicolás Maduro alegando envolvimento do líder venezuelano com o narcotráfico, mas dados do site World Atlas apontam para outro interesse central: o petróleo. Em 2024, a Venezuela detinha as maiores reservas de petróleo do planeta, com 300,9 bilhões de barris — superando a Arábia Saudita, segunda colocada com 266,5 bilhões, e o Canadá, terceiro com 169,7 bilhões. O objetivo declarado de Trump é instalar em Caracas um governo alinhado aos interesses de Washington.

A Groenlândia completa o mapa das ambições americanas. O território dinamarquês, com população de aproximadamente 56 mil habitantes, concentra um patrimônio natural de enorme valor estratégico: reservas de petróleo, gás e hidrocarbonetos, além de metais variados, ouro e urânio — este último com aplicação tanto na geração de energia nuclear quanto na produção de armamento atômico.

Situada entre os territórios estadunidense e russo, a ilha ocupa uma posição geográfica de alto valor militar. Incorporada formalmente ao Reino da Dinamarca em 1953, a Groenlândia permanece sob a Constituição dinamarquesa, mas enfrenta pressões crescentes de Washington por seu potencial estratégico.

Veja agora os 17 países da coalizão feita por Trump:

  1. Guatemala
  2. Paraguai
  3. Estados Unidos
  4. Equador
  5. Jamaica
  6. Costa Rica
  7. Peru;
  8. Belize;
  9. Trinidad e Tobago;
  10. Argentina
  11. Panamá
  12. Guiana
  13. El Salvador
  14. República Dominicana
  15. Bolívia
  16. Bahamas
  17. Honduras

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