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Brasil quer exportar excedentes de energia hidrelétrica para Argentina e Uruguai

Medida prevê uso de excedentes futuros para reduzir perdas no setor elétrico

Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (antiga Itaparica) (Foto: Divulgação AXIA Energia)

247 - O Brasil avalia uma nova estratégia para exportar energia hidrelétrica a países vizinhos, utilizando excedentes futuros de geração que não seriam consumidos internamente, com o objetivo de reduzir perdas e melhorar a eficiência do sistema elétrico. O Ministério de Minas e Energia apresentou a proposta em consulta pública aberta nesta segunda-feira (27), segundo reportagem da Folha de S.Paulo, detalhando um modelo que prevê a comercialização antecipada do chamado “vertimento turbinável”

A iniciativa busca transformar em receita uma energia que, em determinadas condições, acabaria sendo desperdiçada. O governo também pretende enfrentar a sobreoferta no setor elétrico, que tem impactado negativamente fontes renováveis como solar e eólica, além de aumentar a complexidade da operação do sistema nacional.

A ideia de exportar energia excedente não é inédita. Grandes empresas do setor já defendiam a medida, e o país criou regras em 2022 para vender energia hidrelétrica a vizinhos com base em vertimentos considerados iminentes. Essa modalidade teve maior aplicação em 2023, durante um período de chuvas intensas, e gerou um benefício financeiro de R$ 788,2 milhões.

Novo modelo prevê exportação antecipada

A principal novidade da proposta é permitir a exportação antecipada, antes mesmo da ocorrência efetiva do excedente. De acordo com a portaria, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) poderá autorizar esse tipo de operação ao identificar a possibilidade de vertimento futuro.

A medida considera a dinâmica dos reservatórios e a sazonalidade das chuvas no país. A exportação poderá envolver usinas localizadas nos subsistemas Sul e Norte, preservando as regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste para garantir a segurança energética.

O modelo prevê dois períodos distintos ao longo do ano. Entre junho e novembro, fase mais seca no Norte, a exportação antecipada poderá ocorrer caso haja níveis adequados de armazenamento no Sul. Já entre dezembro e maio, quando as chuvas se intensificam no Norte, o foco será recompor os reservatórios do Sul, utilizando mais a geração das usinas do Norte.

Segurança energética e participação do setor

A proposta também estabelece mecanismos para garantir a estabilidade do sistema. Em situações de risco à segurança energética, o ONS poderá acionar usinas termelétricas fora da ordem de mérito, priorizando a recuperação dos reservatórios do Sul.

A participação no modelo será voluntária. Geradores hidrelétricos interessados poderão aderir por meio de processos competitivos realizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Com a medida, o governo busca ampliar a integração energética regional, reduzir desperdícios e criar novas fontes de receita para o setor elétrico brasileiro, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar a oferta crescente de energia no país.

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