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Chefe de gabinete de Milei admite omissão de US$ 500 mil em declaração patrimonial

Manuel Adorni diz que recursos vieram de investimentos privados e criptomoedas antes de entrar no governo

Manuel Adorni (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)
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247 - O chefe de gabinete da Argentina, Manuel Adorni, admitiu ter deixado de declarar pelo menos US$ 500 mil, o equivalente a cerca de R$ 2,5 milhões, em suas declarações patrimoniais. Principal auxiliar do presidente argentino, Javier Milei, Adorni afirmou que apresentou uma declaração retificada ao Escritório Anticorrupção na quarta-feira (10), após questionamentos envolvendo seu patrimônio e suspeitas de inconsistências.

Segundo a AFP, o ministro reconheceu o erro e afirmou que pretende quitar todas as obrigações decorrentes da omissão. "Claro que cometi um erro. Vou pagar até o último imposto que me corresponder, até a última multa, todos os juros, tudo o que decorrer desse erro", declarou.

Investigação sobre patrimônio

As novas informações também serão incorporadas à investigação conduzida pela Justiça argentina sobre supostas inconsistências patrimoniais atribuídas ao chefe de gabinete. Segundo Adorni, os recursos omitidos tiveram origem em atividades privadas e investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018, antes de sua entrada no governo, quando assumiu a função de porta-voz presidencial em dezembro de 2023.

"Reconstituindo a história, investimos cerca de US$ 200 mil (aproximadamente R$ 1 milhão) e ganhamos aproximadamente US$ 300 mil (R$ 1,5 milhão)", afirmou. O ministro também admitiu que ele e sua esposa optaram por manter esses valores fora das declarações oficiais. "A maneira de escapar da velha política era ter uma poupança por fora", disse.

Mudança de versão

A admissão representa uma mudança em relação ao depoimento prestado por Adorni ao Congresso argentino em 29 de abril. Na ocasião, ele havia afirmado que "nunca houve ocultação" de patrimônio.

Aos 46 anos, Adorni tornou-se um dos principais colaboradores de Milei durante sua passagem pela Secretaria de Comunicação como porta-voz presidencial. Em novembro, deixou o cargo para assumir a Chefia de Gabinete.

O presidente argentino tem manifestado apoio público ao ministro. Em diferentes ocasiões, Milei declarou que Adorni "tem tudo em ordem".

Origem da polêmica

A controvérsia envolvendo o chefe de gabinete ganhou força em março, quando a imprensa argentina passou a questionar uma viagem oficial a Nova York na qual ele levou a esposa, além de viagens de férias realizadas em jato particular com familiares.

Posteriormente, novos vazamentos levaram à abertura de uma investigação judicial sobre a compra de imóveis nos últimos dois anos que, segundo as suspeitas apuradas, não teriam sido declarados. Até o momento, Adorni não foi convocado a prestar depoimento no processo.

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