Colômbia prepara decreto de emergência econômica e reforça segurança na fronteira com Venezuela após ataques do EUA
Medida prevê ajuda humanitária e mobilização de 30 mil soldados na região de fronteira com a Venezuela
247 - O governo da Colômbia anunciou que está preparando a decretação de um estado de emergência econômica na região de fronteira com a Venezuela. A iniciativa ocorre diante da possibilidade de um aumento significativo do fluxo migratório, em meio às tensões regionais após ações militares dos Estados Unidos, cenário que autoridades colombianas avaliam como potencialmente gerador de uma crise humanitária. Segundo a AFP, o decreto tem como objetivo permitir a liberação rápida de recursos públicos para responder aos impactos sociais e econômicos na região fronteiriça, considerada estratégica e historicamente sensível.
Medidas emergenciais e assistência humanitária
O plano em elaboração inclui ações de assistência humanitária, como atendimento médico e fornecimento de alimentos à população que possa ser afetada por uma eventual onda migratória. Autoridades afirmam que o documento já está pronto e aguarda apenas a assinatura de integrantes do alto escalão do Executivo colombiano.
Durante coletiva de imprensa realizada em Cúcuta, cidade localizada na fronteira entre os dois países, a diretora do Departamento Administrativo da Presidência (Dapre), Angie Rodríguez, explicou o objetivo da iniciativa. Segundo ela, o governo avalia “uma declaração de emergência econômica com o propósito de contar com recursos” de forma imediata.
Críticas de Petro às ações dos Estados Unidos
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou a atuação de Washington como uma “agressão à soberania” da América Latina e afirmou que o desdobramento das ações pode resultar em uma crise humanitária de grandes proporções. Petro defendeu que a situação seja resolvida por meio do “diálogo”, ao mesmo tempo em que determinou o reforço da vigilância na fronteira.
Crítico da mobilização militar determinada por Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, no Caribe desde setembro, Petro solicitou a convocação de reuniões da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir “a legalidade internacional da agressão” atribuída aos EUA.
Reforço militar e segurança na fronteira
Como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU neste ano, a Colômbia também pediu que o órgão analise o caso. Paralelamente, o governo anunciou a mobilização de cerca de 30 mil soldados ao longo dos mais de dois mil quilômetros de fronteira compartilhada com a Venezuela.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirmou que o Estado ativou “todas as capacidades” para evitar “qualquer tentativa de ataque terrorista” por parte de grupos armados ilegais, como o Exército de Libertação Nacional (ELN). Autoridades destacam que a região é marcada pela atuação de organizações que se financiam por meio do narcotráfico e transitam entre os dois países.
No mesmo contexto de tensões, Donald Trump já declarou que não descarta possíveis ataques a laboratórios de produção de drogas em território colombiano, possibilidade que Gustavo Petro classificou como uma ameaça direta de invasão, reforçando o clima de preocupação diplomática e regional.


