HOME > América Latina

Petro pede reunião imediata da ONU e da OEA após agressão estadunidense à Venezuela

Presidente da Colômbia denuncia bombardeio com mísseis em Caracas e alerta o mundo para ataque que viola a soberania venezuelana

O presidente colombiano, Gustavo Petro - 23/10/2025 (Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez)

247 – O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fez neste sábado um apelo contundente por uma reação internacional imediata diante da agressão estadunidense à Venezuela, que ele descreveu como um bombardeio em Caracas. Em postagem nas redes sociais, Petro afirmou que mísseis estariam sendo usados contra a capital venezuelana e exigiu a convocação urgente da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A mensagem do presidente colombiano diz: “Neste momento, bombardeiam Caracas. Alerta a todo o mundo: atacaram a Venezuela. Bombardeiam com mísseis. Deve se reunir a OEA e a ONU de imediato.”

A declaração ocorre em meio a relatos de forte instabilidade na capital venezuelana. Reportagem de agência internacional informou que, na madrugada deste sábado, ao menos sete explosões e o som de aeronaves voando em baixa altitude foram ouvidos por volta das 2h (horário local) em Caracas, levando moradores de diversos bairros a correrem para as ruas, assustados. Até o momento, não houve resposta imediata do governo venezuelano a pedidos de comentário.

Outros relatos internacionais apontaram também barulhos intensos, a presença de fumaça e até falta de eletricidade em áreas do sul de Caracas, inclusive em regiões próximas a instalações militares, o que elevou a percepção de que a capital está sob ataque coordenado.

A guerra às drogas como pretexto

A ofensiva estadunidense tem sido apresentada por Washington como parte da chamada “guerra às drogas”, mas, para o governo venezuelano e para lideranças latino-americanas, trata-se de uma narrativa construída para justificar uma escalada militar com objetivos políticos e econômicos. Nos últimos dias, os Estados Unidos intensificaram ações militares na região, alegando atacar embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico.

A Venezuela chegou a sinalizar disposição para negociar um acordo de cooperação com os Estados Unidos no combate ao tráfico. Mesmo assim, o cenário evoluiu rapidamente para uma situação de confrontação aberta, com denúncias de ataques diretos e bombardeios.

Maduro acusa tentativa de mudança de governo e saque do petróleo

O presidente venezuelano Nicolás Maduro já vinha denunciando que os Estados Unidos buscam forçar uma mudança de governo e obter acesso às reservas de petróleo do país, consideradas um dos maiores ativos estratégicos do planeta. Segundo ele, a pressão se intensificou após uma grande mobilização militar norte-americana no Mar do Caribe, iniciada em agosto, consolidando o que Caracas classifica como um cerco prolongado e agressivo.

Para a Venezuela, os ataques não se explicam por razões de segurança ou combate ao crime, mas por uma lógica de dominação geopolítica e pilhagem econômica, voltada ao controle de recursos energéticos e à imposição de um governo alinhado aos interesses de Washington.

Petro exige ação imediata: “Alerta a todo o mundo”

Ao exigir a reunião urgente da ONU e da OEA, Gustavo Petro rompe a barreira do silêncio que frequentemente envolve agressões promovidas pelos Estados Unidos na região e pressiona os organismos internacionais a abandonarem a omissão. A fala do presidente colombiano é especialmente relevante por vir de um país vizinho, que seria diretamente impactado por qualquer escalada militar, seja por efeitos na fronteira, instabilidade política ou novas ondas migratórias.

O pronunciamento também amplia a dimensão do conflito ao tratar o caso como uma emergência internacional. Ao dizer “alerta a todo o mundo”, Petro sinaliza que o ataque não é apenas um problema bilateral, mas uma ameaça à estabilidade continental e ao próprio direito internacional.

América Latina sob risco de guerra

A agressão contra a Venezuela representa um ponto de inflexão para a América Latina. Um ataque direto à capital de um país sul-americano, com denúncias de bombardeio com mísseis, coloca em risco o princípio de soberania nacional e ameaça reabrir um ciclo histórico de intervenções, guerras e destruição que marcou o continente em diferentes períodos.

O apelo de Petro fortalece o entendimento de que a região precisa reagir com rapidez e firmeza para evitar que o conflito se amplie e se normalize. Se organismos internacionais não atuarem de forma imediata, a América do Sul poderá entrar em uma fase de instabilidade extrema, com consequências imprevisíveis para a paz, a democracia e o desenvolvimento regional.

Artigos Relacionados