Cuba alerta na ONU sobre risco de catástrofe humanitária
Bruno Rodríguez afirmou na ONU que medidas coercitivas dos EUA “matam e causam sofrimento”
247 - O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, alertou o Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, sobre o risco de uma catástrofe humanitária na ilha caso os Estados Unidos mantenham políticas de agressão contra o país, afirmando que medidas coercitivas dos EUA “matam e causam sofrimento”, as informações são da teleSUR.
Em discurso nesta terça-feira (27), durante o debate “defender os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e fortalecer o sistema internacional centrado na ONU”, Rodríguez pediu mobilização internacional para impedir o agravamento da situação. Ele afirmou que, se os Estados Unidos ordenassem um ataque militar contra Cuba, entrariam para a história como “criminosos de guerra”.
O chanceler cubano declarou que “nenhuma justificativa pode ser dada para agressão ou atos coercitivos desumanos” e pediu que os Estados Unidos “deixem Cuba viver em paz”. Rodríguez também rejeitou a justificativa de que a ilha representaria uma ameaça à segurança nacional de uma “superpotência nuclear”, classificando o argumento como “absurdo e mentiroso”.
Durante a intervenção, o ministro citou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que reiterou que “Cuba não é e não pode ser uma ameaça” e que o país “não é inimigo dos Estados Unidos nem quer ser”, apesar das divergências entre os dois governos.
Relações com o povo dos Estados Unidos
Rodríguez destacou os “profundos e fraternos vínculos com o povo e a cultura estadunidenses” e afirmou que Cuba continuará recebendo viajantes e empresários dos Estados Unidos, mesmo diante das restrições impostas por Washington.
O chanceler também acusou uma “plutocracia corrupta e imoral” de recorrer à “lenda da incompetência e suposta corrupção” do governo cubano para justificar uma intervenção estrangeira. Segundo ele, o próprio “verdugo” provoca “efeitos devastadores” por meio de suas ações contra a ilha.
Apesar da falta de avanços e, segundo o governo cubano, de boa vontade por parte dos Estados Unidos, Rodríguez afirmou que Cuba segue disposta a manter conversas para tratar de problemas bilaterais, desde que não haja ingerência em seus assuntos internos. Ele citou como possíveis áreas de cooperação o combate ao terrorismo, ao narcotráfico e ao crime transnacional organizado.
Acusação contra Raúl Castro é condenada por Havana
Rodríguez também condenou a imputação contra o líder da Revolução Cubana, o general de Exército Raúl Castro Ruz. Ele classificou a medida como “moralmente infame” e “ilegalmente arbitrária”, por abuso de jurisdição.
Segundo o chanceler, a decisão seria politicamente motivada e buscaria enganar cidadãos dos Estados Unidos e estrangeiros, 30 anos após os fatos, para obter apoio a “uma aventura militar contra Cuba para conseguir uma mudança de regime ou uma construção de nação, como chamam eufemisticamente agora”.
Bloqueio e cerco energético
O ministro denunciou ainda o cerco energético imposto pelos Estados Unidos, descrito por ele como um ato de guerra e de genocídio por submeter a população cubana a condições que ameaçam sua existência.
De acordo com Rodríguez, o bloqueio levou à duplicação da taxa de mortalidade infantil, de 4 para 9,2 por mil nascidos vivos, e reduziu a expectativa de vida de crianças com câncer de 85% para 65%.
O diplomata afirmou que o governo dos Estados Unidos está em uma posição de “quebrantamento da paz e da segurança internacionais” e de violação do Direito Internacional e do Direito Internacional Humanitário em relação a Cuba.
Críticas à ordem internacional
Rodríguez questionou como discutir a defesa das Nações Unidas e a promoção da paz “a fim de evitar novos conflitos onde os fortes se impõem sobre os fracos” sem mencionar o genocídio contra a Palestina, a agressão imperialista contra o Irã e a guerra no Oriente Médio.
O chanceler reafirmou a importância do respeito ao Direito Internacional e às normas básicas das relações internacionais para impedir novos conflitos e preservar a paz.
Ele alertou que uma agressão militar contra Cuba “provocaria um banho de sangue”, com milhares de cubanos morrendo em defesa da pátria e milhares de jovens estadunidenses arrastados à violência por uma política “imperialista, neofascista, de dominação, saqueio e conquista”.
Apelo aos cidadãos dos Estados Unidos
Rodríguez fez um chamado especial aos cidadãos dos Estados Unidos, especialmente aos jovens, apelando a seus valores humanos e sentimentos pacifistas para que busquem a verdade e não se deixem manipular por uma “camarilha elitista, corrompida e poderosa de Miami”.
Segundo a posição cubana apresentada pelo chanceler, esse grupo não representa o povo dos Estados Unidos nem a maioria dos cubanos residentes no país, que se opõem à guerra e ao bloqueio.
Apoio ao papel da ONU e ao multilateralismo
O ministro cubano também destacou o papel da China na defesa da paz e da segurança internacionais, na observância do Direito Internacional, no fortalecimento da ONU e em sua reforma adequada.
Rodríguez afirmou que Cuba apoia iniciativas globais promovidas pelo presidente Xi Jinping para enfrentar os desafios atuais por meio de cooperação multilateral genuína e da construção de uma ordem internacional baseada na igualdade soberana, justa e democrática.
Ao fim de sua intervenção, o chanceler recordou uma frase de Fidel Castro, pronunciada em 1960: “Desapareça a filosofia do despojo e terá desaparecido a filosofia da guerra”.
A reunião foi presidida por Wang Yi, membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista da China e ministro das Relações Exteriores. De acordo com as Nações Unidas, o encontro deveria servir como oportunidade para que os Estados-membros reforçassem a solidariedade, construíssem consensos, reafirmassem o compromisso com a Carta da ONU e revitalizassem o papel central da organização no sistema internacional.



