Delcy Rodríguez defende parceria energética com os EUA e aposta na diplomacia
Presidenta interina se reuniu com o secretário de Energia dos EUA, Christopher Wright, e afirmou que o diálogo soberano guiará a relação bilateral
247 - A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (11) que a relação com os Estados Unidos deve avançar com base em uma agenda energética estratégica e produtiva, conduzida por canais diplomáticos e políticos que respeitem a soberania venezuelana. A declaração foi feita após uma reunião bilateral no Palácio de Miraflores, em Caracas, com o secretário de Energia dos EUA, Christopher Wright.
A informação foi divulgada pela Telesur, que acompanhou a coletiva de imprensa conjunta realizada após o encontro. Segundo Rodríguez, o objetivo central das conversas foi abrir caminho para uma cooperação de longo prazo no setor energético, envolvendo projetos em áreas como petróleo, gás, mineração e eletricidade.
Durante sua fala, Delcy Rodríguez defendeu que a parceria seja construída sem obstáculos. "Que essa relação e a agenda energética avancem sem dificuldades nem contratempos", afirmou a presidenta interina, ao lembrar que os vínculos com os EUA remontam a quase 150 anos, desde o início da exploração de asfalto.
Rodríguez explicou que as equipes técnicas que acompanham Wright já iniciaram reuniões com representantes venezuelanos para acelerar a implementação de projetos discutidos na agenda bilateral. Ela também sustentou que o diálogo diplomático será o caminho para superar divergências históricas entre Caracas e Washington.
Em uma das declarações centrais do encontro, Rodríguez afirmou: "Estou certa, como disse desde o primeiro dia em que tomei posse, em condições inéditas, como presidente interina da República Bolivariana da Venezuela, estou certa de que, por meio da diplomacia, vamos superar nossas diferenças. Que seja o diálogo diplomático, o diálogo político, o diálogo energético, ao qual estamos dando as boas-vindas, que sejam os canais adequados e pertinentes para que os Estados Unidos e a Venezuela assumam com maturidade, a partir da divergência histórica, e assumamos com maturidade como continuar avançando."Ainda na conversa com jornalistas, Delcy Rodríguez classificou o encontro como direto e destacou que os entendimentos com Washington precisam estar subordinados à independência venezuelana no setor. Ela declarou que a reunião foi «muito franca» e frisou que a relação deve ser conduzida sob o princípio da «soberania energética da Venezuela».
Do lado norte-americano, Christopher Wright afirmou que o governo dos EUA busca aprofundar uma relação de cooperação com a Venezuela, apostando em intercâmbio técnico e comercial como ferramenta para ampliar ganhos econômicos mútuos. Segundo ele, a estratégia teria como meta gerar mais prosperidade e estabilidade para os dois países.
O secretário de Energia também sugeriu que uma cooperação direta entre os governos poderia resultar em aumento expressivo da produção energética venezuelana ainda em 2026, caso haja coordenação conjunta entre as administrações.
A visita de Wright ocorre em meio a uma ofensiva venezuelana para ampliar a produção de petróleo, estabelecer novas alianças energéticas e diversificar as exportações de hidrocarbonetos. Nesse cenário, a Assembleia Nacional aprovou recentemente uma reforma na Lei de Hidrocarbonetos, que amplia possibilidades de investimentos estrangeiros no setor.
O próprio Wright destacou que o país sul-americano vem buscando novos aportes financeiros para recuperar uma indústria que, segundo ele, sofreu impactos severos após medidas restritivas impostas pela Casa Branca a partir de 2019.
Após a aprovação da reforma legislativa, Washington anunciou um conjunto de licenças que flexibilizam parte das restrições, embora com limitações. A Telesur avalia que essas medidas confirmam o uso das sanções como instrumento político para dificultar o avanço do setor energético venezuelano, prejudicar a estrutura econômica do país e atribuir à estatal PDVSA a responsabilidade por uma suposta “gestão fracassada”.
Segundo a emissora, a visita ocorre em um momento de relativa estabilidade interna e de retomada econômica, apesar do contexto de tensão recente entre os países.


