Delcy Rodríguez homenageia 32 soldados cubanos mortos em agressão militar dos EUA
A presidente interina exalta cooperação com Cuba e defende soberania após ataque em solo venezuelano
247 - A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou nesta segunda-feira uma nota oficial em homenagem a 32 militares cubanos que integravam a guarda de Nicolás Maduro e morreram durante a agressão militar dos Estados Unidos na Venezuela. O episódio, ocorrido na madrugada de 3 de janeiro, foi classificado pelo governo do país como uma “agressão criminosa” e uma violação direta da soberania nacional.
Rodríguez afirmou que os militares atuavam no âmbito de acordos de cooperação entre Estados soberanos e exerciam funções de proteção institucional. No comunicado, a presidente interina destacou a atuação dos cubanos na defesa da estabilidade do país e expressou solidariedade ao governo e ao povo de Cuba diante das mortes.
Na nota, Delcy Rodríguez ressaltou a “valentia, disciplina e compromisso inquebrantável com a paz e a estabilidade regional” demonstrados pelos soldados cubanos. A dirigente também agradeceu publicamente ao presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez e ao general Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana, pelo apoio e pela “solidariedade” manifestados após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos.
Enquanto prestava homenagem aos militares mortos, Rodríguez reforçou que a cooperação com Cuba se dá dentro de parâmetros legais e soberanos, enfatizando que a presença dos soldados estava vinculada a acordos bilaterais legítimos. O governo venezuelano sustenta que a ação norte-americana representou uma intervenção direta e injustificável em assuntos internos do país.
Em meio à crise, a presidente interina também se manifestou sobre a relação com Washington. Na noite de domingo, ela declarou que pretende construir uma relação “equilibrada e respeitosa” com os Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais direcionada ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Rodríguez afirmou: “Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo”.
Na mesma mensagem, a dirigente venezuelana acrescentou: “Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura”.
Quase simultaneamente à publicação de Rodríguez, Donald Trump falou com jornalistas a bordo do Air Force One e afirmou que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela após a prisão de Nicolás Maduro e durante o diálogo com a nova liderança venezuelana. Questionado se havia conversado com a presidente interina, respondeu: “Estamos lidando com as pessoas que acabaram de assumir o cargo. Não me perguntem quem está no comando, porque eu darei uma resposta muito controversa”. Ao ser instado a esclarecer, completou: “Significa que nós estamos no comando”.
A Suprema Corte da Venezuela determinou, no fim da noite de sábado, que Delcy Rodríguez assumisse a Presidência do país, quase 24 horas depois da captura de Maduro por forças dos Estados Unidos. O ex-presidente foi levado para território norte-americano, onde deve responder a acusações judiciais, embora Rodríguez e outros integrantes da cúpula chavista insistam que ele segue sendo o “único presidente” da Venezuela.



