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Presidente interina da Venezuela oferece cooperação aos EUA após Trump ameaçar com novos ataques

Delcy Rodríguez adota tom conciliador depois do sequestro de Nicolás Maduro, enquanto ONU, China e países da região questionam legalidade da operação

Delsy Rodríguez, vice-presidenta da Venezuela (Foto: prensa latina)

247 – A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ofereceu neste domingo colaboração aos Estados Unidos em uma agenda de “desenvolvimento compartilhado”, marcando a primeira mudança de tom desde que forças americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação que Washington descreve como ação de cumprimento da lei. As informações são da Reuters, em reportagem publicada nesta segunda-feira.

Em declaração divulgada nas redes sociais, Rodríguez afirmou que seu governo busca “relações respeitosas” com os EUA, apesar de ter criticado anteriormente a operação como uma ação ilegal motivada por interesses sobre as riquezas nacionais venezuelanas, especialmente o petróleo. A fala sugere uma inflexão calculada no discurso oficial, num momento em que Maduro deve comparecer já nesta segunda-feira diante de um juiz federal em Nova York.

A chefe interina do Executivo venezuelano fez um convite direto ao governo Trump, apelando à legalidade internacional e à redução das tensões militares no continente. “Convidamos o governo dos EUA a colaborar conosco em uma agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento compartilhado dentro do marco do direito internacional, para fortalecer uma convivência comunitária duradoura”, disse Rodríguez. Em seguida, mencionou diretamente o atual presidente dos Estados Unidos: “O presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”.

Pragmatismo

Rodríguez, que também ocupa o cargo de ministra do Petróleo, é frequentemente vista como uma das figuras mais pragmáticas do círculo de Maduro. Segundo a Reuters, Trump já havia dito que ela estaria disposta a trabalhar com os Estados Unidos, embora, publicamente, integrantes do governo venezuelano tenham classificado a captura de Maduro e de Cilia Flores como “sequestro” e insistido que Maduro permanece como líder legítimo do país.

Do lado americano, Donald Trump elevou ainda mais a pressão ao declarar que pode ordenar novas ações militares se a Venezuela não cooperar com os objetivos de Washington, que incluem a abertura do setor petrolífero venezuelano a empresas dos EUA e o combate ao narcotráfico. O presidente também fez ameaças envolvendo outros países da região, como Colômbia e México, e afirmou que o regime cubano “parece prestes a cair por conta própria”, segundo a reportagem.

Acusações contra Maduro

A escalada retórica ocorreu às vésperas de um episódio simbólico e jurídico de grande peso: a apresentação de Maduro a um tribunal em Nova York. De acordo com autoridades do governo Trump citadas pela Reuters, a operação foi caracterizada como uma ação para levar o venezuelano a responder por acusações criminais apresentadas em 2020, que o vinculam a uma suposta conspiração de “narco-terrorismo”.

As acusações são graves, ainda que forjadas. Maduro, de 63 anos, é apontado por promotores americanos como alguém que teria dado apoio a grandes grupos do narcotráfico, incluindo o Cartel de Sinaloa e a facção venezuelana Tren de Aragua. Ainda segundo a denúncia descrita pela Reuters, ele teria dirigido rotas de tráfico de cocaína, usado as Forças Armadas para proteger carregamentos, abrigado grupos violentos e utilizado instalações presidenciais para facilitar o transporte de drogas. No sábado, as acusações teriam sido atualizadas para incluir também Cilia Flores, agora acusada de ordenar sequestros e assassinatos. Maduro nega irregularidades, e um eventual julgamento pode levar meses para ocorrer.

A crise se agrava porque, além do aspecto judicial, o episódio abre uma disputa de legitimidade política e internacional. Os Estados Unidos consideram Maduro um “ditador ilegítimo” desde a eleição de 2018, cercada por denúncias de irregularidades. Ao mesmo tempo, Trump descartou a possibilidade de que a liderança opositora Maria Corina Machado assuma o poder, afirmando que ela não teria apoio suficiente, segundo a Reuters.

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