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Embaixada chinesa na Argentina condena mentalidade de Guerra Fria e defende cooperação com a América Latina

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247 - A China reagiu às declarações de autoridades dos Estados Unidos sobre a cooperação com a América Latina. Em nota oficial, a Embaixada chinesa na Argentina afirmou que as críticas refletem uma lógica de confronto entre blocos e defendeu que a cooperação com países latino-americanos ocorre com base em igualdade e benefício mútuo.

Segundo informações divulgadas pela Telesur, a manifestação diplomática foi uma resposta direta às declarações do embaixador dos Estados Unidos na Argentina, Peter Lamelas, que comentou a presença econômica chinesa na região. A representação chinesa classificou as falas como ofensivas e distorcidas.

A embaixada afirmou que Lamelas “atacou e difamou deliberadamente a cooperação entre a China e a Argentina” e acrescentou que suas declarações “ignoram a realidade, são repletas de preconceitos ideológicos e revelam a mentalidade de soma zero da Guerra Fria ainda presente em certos setores dos Estados Unidos, que incitam o confronto entre blocos e a divisão de esferas de influência”.

O governo chinês também expressou “forte descontentamento e rejeição categórica” às críticas. A missão diplomática ressaltou que, nas relações com a América Latina e o Caribe, a China “sempre defendeu os princípios da igualdade e do benefício mútuo, e nunca buscou esferas de influência ou agiu contra terceiros”.

No comunicado, a embaixada mencionou que cerca de 73 mil empresas americanas operam atualmente no território chinês, com investimentos superiores a US$ 1,2 trilhão e crescimento anual composto de 9,8%.

A representação chinesa criticou a contradição na política externa norte-americana. “Os Estados Unidos não podem aplicar sua política de ‘América Primeiro’ e desfrutar dos benefícios da cooperação com a China enquanto, simultaneamente, aplicam um duplo padrão hipócrita e criticam outros países que buscam fazer o mesmo”, afirmou.

Outro ponto destacado foi a rejeição a modelos geopolíticos considerados ultrapassados. Segundo a embaixada, “os velhos roteiros do século XIX não devem ser repetidos no cenário internacional do século XXI”. O texto reforça que os países latino-americanos têm autonomia para definir suas parcerias internacionais. “O rumo dos países latino-americanos deve ser escolhido por seus próprios povos. São eles que devem decidir com quem cooperar e forjar amizades”.

A missão diplomática também classificou a relação entre a China e a América Latina como uma cooperação Sul-Sul, baseada em apoio mútuo e sem interesses geopolíticos ocultos. “Essa cooperação leva a melhorias substanciais nos interesses fundamentais de todas as partes, tanto a curto, médio e longo prazo”, afirmou.

Por fim, a embaixada recomendou que críticas à presença chinesa sejam substituídas por iniciativas concretas de desenvolvimento. “Aconselhamos as partes interessadas a reconhecerem a corrente principal da atual ordem mundial, em vez de se esforçarem para exagerar o que chamam de ‘ameaça chinesa’; seria melhor se fizessem algo concreto para o desenvolvimento da Argentina e dos países da América Latina e do Caribe”.

As declarações de Lamelas que motivaram a reação incluíram a avaliação de que os Estados Unidos negligenciaram a América Latina por décadas. “Nós, americanos, ignoramos a América Latina por quarenta, cinquenta anos. Não demos atenção, e os chineses entraram aqui”, afirmou. Ele também expressou preocupação com o modelo econômico chinês, ao declarar que “quando você negocia com eles, está lidando com o governo chinês, não com uma empresa privada. É um sistema controlado por um governo comunista, que usa esse controle para manipular informações e pessoas”.

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