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Forças armadas venezuelanas reconhecem Delcy Rodríguez como presidenta interina

A líder venezuelana exigiu a libertação imediata de Nicolás Maduro, sequestrado por forças dos EUA

Dercy Rodríguez (Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters)

247 - As Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy Rodríguez como presidenta interina do país em um cenário de forte tensão geopolítica, marcado por ações militares dos Estados Unidos e pela retirada forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa do território venezuelano - os dois foram transportados para Nova York (EUA). A decisão do alto comando militar ocorre em meio a uma ofensiva de grandes proporções contra o país sul-americano.

O reconhecimento de Delcy Rodríguez, que exigiu a libertação imediata de Maduro, aconteceu após o início de ataques terrestres e aéreos contra a Venezuela, registrados na madrugada deste sábado (3). As ações militares teriam começado por volta das 2h01, envolvendo uma ampla mobilização de forças dos EUA. 

Segundo dados divulgados pelo general Dan Caine, mais de 150 aeronaves de combate decolaram de cerca de 20 bases localizadas no Hemisfério Ocidental. Entre os equipamentos utilizados estariam caças F-35, F-22 e bombardeiros estratégicos B-1, evidenciando a escala da operação militar direcionada ao território venezuelano.

O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acusar Nicolás Maduro de envolvimento com o narcotráfico, embora não tenham sido apresentadas provas públicas que sustentem a acusação. Mas analistas internacionais destacaram que o interesse estratégico dos EUA estaria diretamente relacionado às vastas reservas de petróleo da Venezuela.

O país sul-americano concentra mais de 300 bilhões de barris de petróleo, o que corresponde a aproximadamente 17% das reservas globais. O volume é quase quatro vezes superior ao dos Estados Unidos, conforme dados de organismos internacionais ligados ao setor energético, reforçando a centralidade do petróleo venezuelano nas disputas geopolíticas.

Os ataques ao território venezuelano integram uma ofensiva mais ampla iniciada no segundo semestre de 2025 pelo governo Trump contra países da América do Sul. Nesse período, mais de 15 mil tropas estadunidenses foram deslocadas para áreas do Caribe e do Oceano Pacífico próximas ao continente. A escalada militar já resultou em mais de 100 mortes, registradas em mais de 20 ataques contra embarcações ligadas ao tráfico, supostamente. 

Embora o governo dos Estados Unidos justifique as operações como parte do combate ao narcotráfico, o avanço militar tem sido interpretado como uma tentativa de ampliar a influência política e estratégica de Washington na América Latina. O movimento ocorre em um contexto de crescente presença da China no continente, país que integra o BRICS, grupo visto como uma das principais frentes de contestação à hegemonia norte-americana no cenário internacional.

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