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Governo de Milei reprime protestos contra reforma trabalhista

Forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e canhões de água durante ato em frente ao Congresso

Javier Milei e repressão policial na Argentina (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)

247 - Centenas de pessoas foram reprimidas nesta quinta-feira (19) durante manifestação contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei, em frente ao Congresso Nacional da Argentina, em Buenos Aires. A mobilização terminou com o uso de canhões de água e lançamento de gás lacrimogêneo por parte das forças repressivas.

Segundo reportagem da Telesur, a operação foi determinada pela ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, e ocorreu no contexto da greve geral convocada pelas principais centrais sindicais do país contra o projeto em debate na Câmara dos Deputados.

De acordo com os relatos, os incidentes começaram por volta das 16h30, quando manifestantes tentaram ultrapassar barreiras de segurança instaladas no perímetro do protesto. Inicialmente, as forças de segurança utilizaram jatos de água para dispersar a multidão. Minutos depois, a repressão se intensificou com o disparo massivo de bombas de gás lacrimogêneo.

Manifestantes criticaram duramente a proposta do governo. Em meio aos confrontos, afirmaram que “Em vez de construir pontes para o emprego formal, a proposta do ‘governo libertário’ aprofunda a desregulamentação e a insegurança no trabalho”. Em reação à ação policial, parte dos participantes devolveu as bombas de gás lacrimogêneo lançadas pelas forças de segurança.

A reforma trabalhista já recebeu aprovação parcial no Senado e agora está sob análise da Câmara dos Deputados. O projeto prevê mudanças nas indenizações, eliminação do pagamento de horas extras, enfraquecimento da negociação coletiva e restrições ao direito de greve. Sindicatos argentinos sustentam que a chamada “modernização” promovida pelo governo representa, na prática, maior precarização das relações de trabalho.

Greve geral registra forte adesão

A paralisação nacional convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) apresentou alto nível de adesão nesta quinta-feira (19). A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) estimou que a paralisação alcançou 98% em todo o país.

O secretário-geral da ATE, Rodolfo Aguiar, classificou o projeto como “criminoso” e afirmou que a retirada de direitos não resultará na criação de novos empregos. Já  Jorge Sola, que  compartilha a secretaria geral da entidade, avaliou que a adesão foi “importantíssima”, destacando que a interrupção das atividades começou a ser percebida ainda na noite anterior, especialmente nos setores industriais.

O transporte foi um dos principais eixos da paralisação. Trens, metrôs e voos comerciais registraram quase total interrupção. Embora a União Tranviários Automotor (UTA) tenha aderido ao movimento, parte das linhas de ônibus na Área Metropolitana de Buenos Aires operou parcialmente devido à decisão do Grupo DOTA de não participar da greve, além da manutenção de serviços mínimos por empresas como Metropol e Moqsa.

No setor aéreo, sindicatos como a Associação do Pessoal Aeronáutico (APA) e a Associação de Pilotos de Linha Aérea (APLA) suspenderam atividades da Aerolíneas Argentinas, impactando significativamente o transporte aéreo. Órgãos públicos também operaram com contingente reduzido, mantendo apenas equipes mínimas em hospitais e serviços de emergência de instituições como o PAMI e a ANSES. Serviços de coleta de lixo, apoio escolar, guarda urbana, imigração e controles sanitários em portos e alfândegas começaram a ser afetados.

Pontos centrais da reforma

Entre as mudanças previstas na proposta estão a possibilidade de fracionamento das férias, ampliação do período probatório em setores como o trabalho rural e doméstico e a criação de um Fundo de Assistência ao Trabalho em substituição à remuneração tradicional em determinados casos.

O texto também prevê novas regras para trabalhadores de plataformas digitais, que passariam a ser considerados autônomos, perdendo direitos como décimo terceiro salário e férias remuneradas. A proposta inclui ainda a revogação de estatutos profissionais, entre eles o de jornalistas.

O debate sobre a reforma segue na Câmara dos Deputados em meio a forte mobilização sindical e tensão nas ruas de Buenos Aires.

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