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Manifestantes e policiais entram em confronto nos arredores do Congresso argentino

A polícia recorreu ao uso de gás lacrimogêneo e canhões de água. Vídeo

Confrontos na Argentina (Foto: Reprodução (CNN))

247 - Manifestantes e forças de segurança entraram em confronto nesta quinta-feira (19) em Buenos Aires, em meio ao avanço da reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente ultradireitista Javier Milei. Os protestos ocorreram em frente ao Congresso argentino, onde deputados iniciaram o debate sobre o projeto que já havia sido aprovado pelo Senado na semana anterior.

A polícia recorreu ao uso de gás lacrimogêneo e canhões de água depois que participantes da mobilização tentaram romper bloqueios montados para isolar o prédio do Congresso, localizado na região central da capital. A repressão ocorreu no momento em que grupos avançavam em direção às barreiras de segurança, aumentando o clima de instabilidade nas ruas.

O projeto em discussão integra o pacote de reformas econômicas e institucionais defendido por Milei desde o início de seu mandato. A proposta altera pontos centrais da legislação trabalhista argentina, prevendo flexibilização de contratos, mudanças nas regras de férias e jornada de trabalho, além de facilitar demissões e impor restrições ao direito de greve.

Segundo a justificativa apresentada pelo governo, o objetivo da reforma é reduzir custos trabalhistas e incentivar a formalização do emprego. A Argentina enfrenta altos índices de informalidade: aproximadamente 40% dos trabalhadores atuam sem registro formal, o que, segundo o Executivo, dificulta o crescimento econômico e pressiona as contas públicas.

A iniciativa também tem sido alvo de críticas de sindicatos e movimentos sociais, que enxergam na reforma uma ameaça aos direitos conquistados historicamente pela classe trabalhadora. Para esses setores, o texto abre espaço para precarização das relações de trabalho e enfraquecimento do poder de negociação dos empregados.

Apesar da resistência nas ruas e da tensão crescente em Buenos Aires, o governo Milei aposta em uma tramitação acelerada. A expectativa do Executivo é que o projeto seja levado ao plenário da Câmara dos Deputados no dia 25 de fevereiro. O Planalto argentino pretende garantir a aprovação definitiva até 1º de março, data em que Milei deve abrir oficialmente o período de sessões ordinárias do Congresso.

O confronto desta quinta-feira evidencia o cenário de polarização política e social no país, onde reformas estruturais avançam em ritmo acelerado enquanto crescem protestos e manifestações contra as mudanças propostas pelo governo ultraliberal.

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