Governo Trump articula controle do petróleo venezuelano com empresas dos EUA
Administração dos Estados Unidos planeja reuniões com grandes empresas para discutir investimentos e influência direta sobre a produção na Venezuela
247 - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara uma série de reuniões com executivos das principais empresas petrolíferas americanas com o objetivo de discutir o futuro da produção de petróleo na Venezuela. A iniciativa ocorre após o sequestro do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas e sinaliza uma tentativa de ampliar o controle dos EUA sobre o setor energético do país sul-americano, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
A informação foi divulgada pela agência Reuters, que cita uma fonte familiarizada com o assunto. Segundo a reportagem, os encontros são considerados estratégicos para os planos da administração Trump de levar grandes companhias dos Estados Unidos a investir bilhões de dólares na reconstrução e na expansão da infraestrutura petrolífera venezuelana, para controlar a riqueza energética do país sul-americano.
Apesar das declarações públicas de Trump, executivos das três maiores petroleiras americanas — Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips — afirmaram que não foram consultados previamente sobre o sequestro de Maduro nem sobre uma eventual retomada ou ampliação de operações na Venezuela. Quatro fontes do setor ouvidas pela Reuters disseram que não houve diálogo formal com a Casa Branca antes ou depois da ação militar.
“Ninguém nessas três empresas conversou com a Casa Branca sobre operar na Venezuela, antes ou depois da destituição, até o momento”, afirmou uma das fontes à agência.
As reuniões planejadas agora são vistas como decisivas para a estratégia do governo norte-americano de aumentar a produção e as exportações de petróleo venezuelano. Analistas do setor energético avaliam, no entanto, que qualquer avanço relevante exigirá anos de trabalho, investimentos vultosos e um redesenho do ambiente político e regulatório do país.
Ainda não há confirmação sobre quais executivos participarão dos encontros nem se as conversas ocorrerão de forma conjunta ou separada. A Casa Branca não comentou oficialmente o calendário, mas declarou acreditar que a indústria petrolífera dos Estados Unidos está disposta a atuar na Venezuela.
“Todas as nossas empresas petrolíferas estão prontas e dispostas a fazer grandes investimentos na Venezuela para reconstruir sua infraestrutura de petróleo”, disse a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers.
Donald Trump afirmou, em entrevista à NBC News, que o governo dos Estados Unidos pode inclusive subsidiar empresas petrolíferas para viabilizar a reconstrução da infraestrutura energética venezuelana. Questionado sobre a existência de contatos prévios com o setor antes da operação militar, o presidente respondeu: “Não. Mas nós vínhamos falando sobre o conceito de ‘e se fizéssemos isso?’”.
“As empresas petrolíferas estavam absolutamente cientes de que estávamos pensando em fazer algo”, acrescentou Trump. “Mas não dissemos a elas que iríamos fazer.”
Em outra declaração à NBC News, Trump disse ser “cedo demais” para afirmar se falou pessoalmente com os principais executivos das companhias envolvidas. “Eu falo com todo mundo”, declarou.
A CBS News informou, citando uma fonte não identificada, que executivos das três empresas devem se reunir na quinta-feira com o secretário de Energia, Chris Wright. Ainda assim, um executivo do setor afirmou à Reuters que as companhias tendem a evitar discussões coletivas com a Casa Branca sobre operações na Venezuela, citando preocupações antitruste que limitam conversas conjuntas entre concorrentes sobre planos de investimento, cronogramas e níveis de produção.
Atualmente, a Chevron é a única grande empresa americana com presença ativa nos campos petrolíferos venezuelanos. Exxon Mobil e ConocoPhillips tiveram atuação histórica no país, mas deixaram a Venezuela após a nacionalização de seus projetos durante o governo de Hugo Chávez.



